Parecia algo que jamais fosse acontecer…
O maravilhoso ano de 1968 ao contrário de muitos desejos tinha terminado.
E eu concluído o curso ginasial no Colégio Batista, no bairro de Perdizes.
Ainda sob o vento do ano que recém terminara, as nuvens de mudanças rondaram minha cabeça e nosso país mas o desejo de outros desafios estavam sempre presentes. Estava determinado a cursar algum curso relacionado com Filosofia Ciências e Letras, como Matemática.
Influenciado por um grande professor de física, já falecido, o Prof. do Mackenzie e bacharel em física, Francisco Suarez, fui incentivado a prestar o vestibulinho do Aplicação, da FFCL USP, que ficava na Rua Gabriel dos Santos, em um ponto que só os leitores paulistanos que nasceram com GPS no sangue poderão de fato determinar se era Pacaembú, Higienópolis ou Santa Cecília.
Uma rua tranqüila que faz esquina com a General Olímpio da Silveira, onde nessa mesma esquina existia uma famosa Churrascaria que infelizmente não tive oportunidade em conhecer. Por lá desfilavam em temporadas semanais, artistas do porte de uma Angela Maria, Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto entre outros e ficava próximo do local onde um não menos conhecido cinema, o Santa Cecília fez parte do glorioso passado Paulistano.
Mas voltando ao ímpeto de transformação, fiz a inscrição para o seletivo do Curso Colegial e pela segunda vez que algum curso mudava de nível tive que me submeter a isso. E não me queixo não.
Foram semanas de estudo, rachação e ansiedade para a prova de seleção que finalmente teve um final feliz: Eu tinha sido aprovado. E aos 14 anos estava na USP, pensava eu.
Cheio de vigor e entusiasmo fiz minha matrícula e fui para o primeiro dia de da aula em março de 1969 acreditando ter ingressado na Sourbone após ao 68 glorioso.
Mas a ansiedade era grande que nem tinha me dado conta que dois acontecimentos importantes no cenário político tinham tomado a cena: A reforma do ensino e o AI-5.
Pensava em ir ao cerne dos assuntos filosóficos, esnobes e intelectuais da época, ter participação ativa na política e no movimento estudantil, mas o que encontrei foi uma escola pálida, sem identidade e amordaçada e um curso chamado Colegial Eclético, onde quase 40 matérias faziam parte do curriculum do curso. Parecia um soco no estômago. Não estava preparado e nem queria ser eclético. Queria apenas conhecer um pouco mais de matemática e me inteirar de ciências políticas, pensava eu.
Ledo engano. E durou pouco o sonho de ser aluno da "USP": Depois de alguns meses acho que dei a inspiração para o Lulu Santos escrever mais de uma década após, "Tô voltando pra casa". E com ajuda de meu pai voltei ao Colégio Batista.
Foi uma decisão acertada: Em menos de um ano a USP não mais apoiava o colégio que passou a rede estadual com o nome de Fidelino de Figueiredo.
Deixei para trás as noites frias naquele velho casarão iluminado.
E essa pequena história veio a tona na noite de hoje, uma noite também fria, quando da mal-iluminada e deprimente General Olímpio vi o mesmo prédio com a inscrição: Universidade de Guarulhos.
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