Na torre de Alexandria, a grande chama ardia, nos espelhos refletia e a noite tornava-se dia. O porto iluminado, monumento que foi considerado maravilha do mundo antigo, dádiva do Egito. Pensei nisto em um dia de engarrafamento. Eu um tanto iludido, em um fim de tarde na Marginal, o trânsito parado, tantos carros iluminados… Sim, acreditem, o Farol do Egito foi reinventado e está em meio ao trânsito de São Paulo.
Começo de noite, a Marginal vai ficando iluminada, ganhando cores inusitadas, os neons e as fachadas juntam-se com os reflexos das calçadas. A luz que vem das mentes agitadas, a população apressada, talvez nem repare a cidade iluminada. Por uma longa distância, nosso Farol Paulista, fez de Alexandria sua herança, já não em forma de torre, mas no sincronismo do carros. Ainda mais contemporâneo, por ser espontâneo, surge a chama de luz no grande trânsito parado. As luzes da cidade, contraste com o asfalto, na plena urbanidade. Carros e seus faróis acessos seriam notícias e problemas, mas quem diria que isto serviria para um belo tema de poema.
São Paulo se ascende, Garoa dos Faróis. Suas luzes são guias, brilham em tantos e tantos caminhos, percorrem destinos, refletem nos olhos fascínios à alma dessa cidade em movimento. Novo monumento, as luzes e suas belezas, que linda realidade, faróis e tantos faróis dos carros, sejam andando ou parados, ainda que engarrafados, cedem um brilho inusitado, maravilha moderna, assim qualquer um espera.
Se Paris é a cidade Luz, São Paulo é a cidade dos faróis, a nova Alexandria é aqui. As luzes que saem do asfalto brilham na imensidão, gotículas da garoa na consagração da refração. Na plena realidade, obra de arte, cores nascem no cinza. De forma expressiva, convidativa, a linda garoa desce. Os carros ainda nem se mexem, o trânsito está encorpado, surge agora um céu escuro e denso como fundo. Um espetáculo para se apreciar. Desço do carro e só consigo admirar: a Marginal toda iluminada, minha alma está apaixonada pelas maravilhas modernas de São Paulo, por essa imensa fila de brilhos e carros. Até que chegou minha vez de partir, coração marejado, não sei se isto é mais lindo andando ou parado, garoa e faróis por todos os lados.