Memórias revividas

Quinta-feira, 19 de Junho de 2014, dia chuvoso prenunciando uma noite bastante fria. 
 
Mesmo assim, depois de nos arrumarmos devidamente, eu e Soninha embarcamos para uma subida para o Planalto e, enfim, assistirmos ao espetáculo teatral “Elis – A Musical”, objeto de nossos anseios há um bocado de tempo.
 
Como, acredito, todos devem já ter conhecimento, o espetáculo é sobre a vida de Elis Regina, uma das maiores cantoras nascidas neste solo pátrio, a quem eu, ainda hoje, devoto imenso amor e intenso sentimento de ódio. 
 
Amei a voz e a forma de cantar da Elis desde a primeira vez que a vi e ouvi. 
 
Era sua participação no 1º Festival de MPB da TV Excelsior e ao final ela levou a primeira colocação defendendo, maravilhosamente bem, a música Arrastão de Vinicius de Moraes e Edu Lobo.
 
Passei a odiar Elis no momento em que soube da sua morte por “overdose” de tóxicos, barbitúricos e álcool. Nunca consegui aceitar que uma diva musical pudesse se deixar envolver por vícios tão mundanos.
 
Choro até hoje o desenlace da vida de Elis Regina. Assim, nada mais justificada a minha vontade de assistir ao espetáculo.
 
Com São Paulo em noite característica, com o frio e a garoa presentes, chegamos ao Teatro Alfa, casa linda que ainda não tínhamos tido oportunidade de conhecer. 
 
No saguão de entrada, pra aquecer, tomamos uma deliciosa taça de vinho e nos dirigimos para a platéia. Nos acomodamos e nos entregamos a esperar o passado.
 
Ele chegou, de forma bastante vibrante. Nos acelerou o coração desde a abertura das cortinas.
 
Assistimos uma maravilhosa viagem musical na carreira de Elis Regina, divinamente interpretada por Laila Garin.
 
Além da lembrança da “pimentinha”, foram desfilando à nossa frente personagens tais como Ronaldo Bôscoli e Cesar Camargo Mariano, vividos em cena pelos atores Tuca Andrade e Claudio Lins… “O cachorrão” lá esteve na pele do ator Ícaro Silva, enfim, diversas pessoas diretamente ligadas à vida da “menina prodígio” tais como: Marcos Lazaro, Lennie Dale, Tom Jobim e Luiz Carlos Mielle, foram devidamente representados. 
 
O repertório musical foi escolhido com absoluta competência e interpretado com muita capacidade pelos atores, devidamente acompanhados por uma excelente banda.
 
Enfim, um espetáculo desse porte só poderia ser levado à cena depois de escrito por Nelson Motta e Patrícia Andrade e coroado com uma magistral direção de Dennis Carvalho.
 
Foi, garanto, uma noite de encantamento e saudades.