Era bem baixinha, já velhinha, tortinha, mancava de uma perna. Não sei se era negra ou se a sua cor escura era devida ao fato de não tomar banho há muito tempo. O cabelo era todo arrepiado, cheio de piolhos. Morava em uma favelinha com meia dúzia de barracos em um terreno baldio na rua Paulo Orozimbo, próximo do Parque da Aclimação. Apesar de tudo, se vestia com "elegância": vestido, sapatos de saltinho e uma sempre presente bolsa. Tudo imundo, mas elegante. Perambulava pelas diversas feiras livres do bairro, pedindo com voz meio chorosa. Voltava para casa sempre com a sacola cheia. Certa vez ganhou um par de sapatos novos em uma banca da feira e os calçou ali mesmo. As crianças tinham medo dela, pelo seu aspecto repugnante. As mães ameaçavam as crianças desobedientes, que não queriam comer nem tomar banho, de chamar a Cascudinha caso elas não obedecessem. Isso foi lá pelos idos de 1960.
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