Com a chegada da idade em que nos lembramos de tudo (de 40 anos para trás), mas esquecemos o que foi servido no almoço de ontem, nos transformamos em motivos de chacotas entre parentes e amigos. É duro você ter que enfrentar estas feras que nunca perdem uma chance de nos lembrar de que… “você está muito esquecido, eu te disse ontem que… Mas não tem importância, é a idade…” e você não consegue saber, de imediato, o que foi dito ontem, com quem, sobre o que, olhando para cara do outro (ou outra), simplesmente dá um branco total, mal e mal você consegue identificar com quem está conversando.
Bem, é evidente que o exemplo acima tem um pouco de exagero, mas não foge muito da realidade. Tive que fazer um exame do coração, ecocardiograma, com transparência no Hospital Total Cor, da Alameda Santos, agendado para o dia 16 de abril, às 16h. Por causa da hora e a localização do hospital, de minha casa, na zona Oeste desta sensacional cidade, levei, até lá, de carro, 2 horas. Sem trânsito nenhum leva, no máximo, 40 minutos.
Chegando lá, deixamos o carro no estacionamento, assalto a mão desarmada, a primeira meia hora R$ 15. Como ia para o exame em jejum, desde a manhã sem comer nada, remédios suspensos por cinco dias, exame demorado, se a primeira meia hora custa isso até sair do nosocômio, quanto vai ficar… Em nome da saúde do “capo”, a Myrtes me tranquilizou: “é só hoje, Mo se tivermos que vir outras vezes viremos de ônibus ou metrô…”.
Entrando no hospital minha querida me lembrou:
– Você trouxe o pedido do médico?
– “Claro, respondi, está dentro da minha pasta, donde não tirei nenhuma vez.”
“Ah”, como diria o mais pessimista dos humanos…
– Como você pode ter tanta certeza, seu idoso de meia pataca? Espere e apresente à atendente, ela está pedindo a requisição do médico.
Procuro dentro da pasta e lá está ele, a requisição do médico para… Myrtes, em outro hospital, em data diferente e sem ter nada a ver com meu exame.
– Eu te disse, confira a pasta, você trocou o meu pedido pelo seu, agora vê se a moça não faz o exame e amanhã a gente traz o pedido do médico.
– Mas nem que a vaca tussa, seu Modesto – respondeu a simpática atendente.
– Vamos ter que marcar nova data e o pedido tem que ser dentro deste mês, o senhor tem 60 dias, senão…
Marcou para o dia 30 de abril, véspera do 1º de maio, imaginem o trânsito, todo mundo saindo para viagem, no fim de semana prolongado… Como fui esquecer do pedido médico? Mistérios que só a idade explica.
Vejam bem, estava contando para vocês uma ocorrência cuja principal causa do mal-entendido foi…, foi…, foi… E… Não é que esqueci?
(Continua)