Aqui já disse, de outras vezes, sobre o amor que sinto por um pedacinho do céu na Terra chamado de Parada Inglesa. Muita gente pode até achar que exagero, tudo bem, mas para mim a Parada é sim um pedacinho de céu, tanto é que vivo tentando voltar para lá e volta e meia vou até lá ver uma casa para comprar. Até agora ainda não achei a ideal, seja pelo tamanho ou pelo valor. Mas logo, logo acho.
Muito bem, quando eu era ainda um jovenzinho de 18 para 19 anos, e já lá se vai muito tempo, eu namorava uma moça que morava nos altos da Rua Paulo Avelar, enquanto que eu morava na Rua Cap. Sérvio Caldas. Quando eu saia da casa dela, ia para minha casa a pé, até porque naquele tempo quase ninguém tinha carro.
Eu descia a Paulo Avelar e entrava na Av. Ataliba Leonel à direita, subindo em direção a minha casa. Logo que entrava na Ataliba, antes de chegar na esquina da Rua Adelina de Bortolli, tinha uma casa, em cujo jardim havia um pé de Dama da Noite. Um tipo de flor extremamente cheiroso e que nasce quase o ano todo.
Todo dia à noite quando eu passava ali sentia o suave odor da Dama da Noite, e ia todo feliz para casa ainda sentindo aquele perfume.
Muito bem, um dia desses, em uma destas minhas buscas por um imóvel lá, passei, a pé, defronte à casa onde havia o pé de Dama da Noite. A casa ainda está lá, mas o pé da flor é evidente que não, mas acreditem se quiser, eu senti o cheiro da Dama da Noite. Achei que estava ficando louco, nem falei nada ao corretor que estava comigo, mas fiz questão de retornar pelo mesmo caminho só para passar novamente defronte à casa. E não é que tive a perfeita sensação de estar novamente sentindo o cheiro da bendita flor?
Não sei se estava sugestionado, se foi imaginação, se foi pelo profundo amor que tenho por este bairro e pelas doces lembranças que ele me traz, ou se foi qualquer outra coisa. Mas que senti, senti. Acho que aquele odor divino ficou guardado durante anos e anos no meu coração e exalou na minha lembrança no exato momento em que passei frente a sua fonte.
É como diz o ditado: "Não acredito em bruxas, mas que existem, existem."