Aproveitei o último feriadão, patrocinado pelas comemorações da Semana Santa, Páscoa, Tiradentes, bem como a invasão portuguesa do Brasil, em 1500, para passar uns dias em São Paulo, livre dos irritantes (ECINC) Eternos Congestionamentos que Infernizam a Nossa Capital. Com isso, além de rever parentes e alguns amigos de infância e juventude que atualmente devidamente endividados, digo, aposentados, assim como eu, insistem em continuar vivos causando enormes “prejuízos” à previdência social do governo, dificultando com isso o plano eleitoral do governo federal na distribuição de novas Bolsas. Como “Bolsa estou no desvio”, “Bolsa estou dormindo”, “Bolsa amanhã eu procuro um trampo”, “Bolsas não querem nem saber”, “Bolsa estou ajudando meu irmão que não faz nada também”, e muitas outras bolsas que a oposição vive criticando, por não serem eles os gestores das mesmas.
Com isso, além de ver os parentes, acabei revendo amigos e ainda tive a oportunidade de participar das tradicionais cerimônias religiosas que revivem a passagem de Jesus aqui na terra, que na minha querida Freguesia do Ó é vivida com muita devoção ainda.
E assim, fui andando pelo bairro entre o Frangó, a pizzaria do Bruno e o antigo Bar do saudoso Constantino e do Salai, e que na minha infância era propriedade do queridíssimo Seu Pacheco, pai do meu amigo Celico, como também da Rosa e Nair, amigas de minhas irmãs (o prédio continua do mesmo jeito de quando eu era menino, assim como a maioria das casas do bairro). E assim, caminhando, eu tive a grata sensação de estar vivendo nos anos 40. Não fosse o asfalto das ruas eu diria que havia voltado no tempo.
Nessas festas muitos moradores antigos que deixaram o bairro e hoje em dia moram em outros locais voltam ao bairro, com isso surge a oportunidade de rever alguns amigos do passado. E não demorou muito, encontrei o Celso, um velho amigo de infância e que eu não via há mais de 40 anos.
E assim, lado a lado, caminhamos recordando alguns bons e maus momentos da nossa adolescência, com isso distraidamente o tempo foi passando até que resolvemos tomar um café e eu comentei com ele que só tinha 50 reais no bolso e não tinha mais nenhum trocado. Ele pagou o cafezinho, e foi então que eu me lembrei de que nos anos 60 fomos ao cinema assistir a Bem-Hur e ele me emprestou cinquenta cruzeiros, para o ingresso, e depois um lanche na famosa Salada Paulista.
Resultado. Resolvi, mesmo contra a vontade de meu amigo, pagar aquela minha velha dívida contraída há muitos anos passados, passei então aqueles meus únicos cinquenta reais para as mãos dele. Ele ainda estava com o dinheiro na mão quando encontramos outro antigo e querido companheiro dos velhos tempos, o Roberto.
Depois dos primeiros papos, narramos ao Roberto à estória da minha antiga divida só paga agora, graças a Semana Santa. E nesse momento o Celso se lembrou de uma dívida de cinquenta cruzeiros novos (aqueles do governo Sarney) contraídas e não pagas ao Roberto.
Resultado: os meus únicos cinquenta reais foi para as mãos do Roberto que ao pegar o dinheiro, que poucos segundos antes havia sido meu, lembrou-se de um dia que fomos a Santos: eu também havia pagado o aluguel de uma cabine (naquele tempo na Praia José Menino havia cabines de madeiras para alugar e fazer a troca de roupas), cujo aluguel era exatamente cinquenta cruzeiros.
Roberto então passou para minhas mãos aqueles mesmos cinquenta reais, que momentos antes eu havia entregues para saldar a minha dívida com o Celso.
Resultado: a Semana Santa da Freguesia do Ó faz “Milagres”. Paguei minha dívida antiga com o Celso usando meus únicos 50 reais. O Celso pagou a dívida bem velinha dele com Roberto e o Roberto também pagou a sua dívida comigo, uma dívida do tempo que as praias santistas ainda possuíam aquelas cabines para trocas de roupas. Pode?
Voltei para Lorena, sem precisar tirar dinheiro da minha pequena poupança de aposentado, do Banco no qual tenho minha conta.
Mas agora, estou com medo danado de voltar a passear pela minha saudosa e tão querida Freguesia, e topar com algum credor com memória de elefante (risos).