Questões e dúvidas da minha infância

Quando garoto na minha querida Freguesia do Ó, assim como a maioria dos meninos da minha época, possuía a mania de ler e colecionar revistas em quadrinhos como também álbuns e figurinhas das Balas Futebol.
 
Por ser muito pobre, jamais consegui encher um álbum de figurinhas, e praticamente só comprava revistas em quadrinhos uma ou duas vezes por ano com o dinheirinho ganho dos meus padrinhos de batismo, e primos de minha mãe, Manoel e Laura (que nessa época moravam no Belém, na Rua Herval, de onde saíram mais tarde para ir morar na Vila Formosa perto da Matriz de Nossa Senhora do Sagrado Coração).
 
Em vista disso, a maioria das figurinhas de jogadores que colava no meu álbum eram as doadas pelos meus amigos mais chegados, quando já as possuíam repetidas em seus respectivos álbuns, ou quando ganhadas por mim no famoso joguinho de abafo: que consistia em cada um dos jogadores selar uma ou mais figurinhas com a frente da mesma para o chão e então, após o par ou ímpar, o vencedor bater com a mão em concha, tentando desvirar a figurinha. Quantas fossem desviradas passariam ser suas (era uma ótima maneira de conseguir figurinhas, para quem não tinha dinheiro para comprá-las).
 
Quanto aos gibis, a maior parte dos que li foi na casa de parentes, emprestados de amigos e vizinhos, ou doados por algum outro menino cujos pais como castigo por eles terem tirado nota baixa na escola os proibiam de ler, como também de portá-los ou guardá-los em suas casas. Naquele tempo muitos pais eram contra as tais leituras, por acharem que a mesma atrapalhava o desempenho escolar de seus filhos.
 
E assim, a duras penas, eu e muitos outros como eu fomos conhecendo e ficando fã daqueles queridos e famosos super-heróis da minha infância, como Billy Batson, um jovem que trabalha como repórter de rádio, que ao pronunciar a palavra mágica “shazam” transformava-se no poderoso Capitão Marvel, juntamente com seus companheiros, Capital Marvel Junior, cujo personagem era um deficiente físico que também ficava poderoso ao pronunciar “shazam”, mais a famosa Mary Marvel, que também herdou esses poderes especiais.
 
Também havia personagem Wally West, que tinha o poder de se transformar no The Flash; o Peter Parker, que virava o Homem Aranha, mais o Milionário Bruce Wayne, que saia de sua caverna em um super carrão; como Batman, juntamente com seu inseparável companheiro Robin vistos até hoje como o mais famoso casal gay, pelos preconceituosos de plantão (risos). 
 
Havia também o Capitão América, o Flecha Ligeira, Zorro e o Tonto, Príncipe Submarino, Brucutu, Mandraque e Lothar, Príncipe Ibis, Nyoka, Tarzan, Dom Chicote, Cavaleiro Negro, e por fim os que eu mais admirava: O Fantasma e o seu cão Capeto, e o meu herói mais querido: o Super Homem, que também era o repórter Clark Kent e gostava da Lois Lane, mais conhecida por nós nos brasileiros como Miriam Lane.
 
Sempre adorei tudo isso, e fazia muitas viagens imaginárias pensando na Mulher Maravilha, ou Tocha Humana e muitos outros que para mim não foram tão importantes como super-heróis, como tantos outros que eu nem citei nessa narrativa.
 
Porém, tem duas coisas que durante toda a minha infância sempre foram uma grande interrogação e que continuam até hoje sem respostas em minha vida.
 
A primeira é: como é possível que apenas com o tirar e o colocar de uns óculos, alguém possa não ser reconhecido por seus amigos mais chegados.
 
Segundo: onde o Clark Kent colocava suas roupas quando as tiravas para virar o Superman? E o mais complicado, onde é que ele enfiava aqueles óculos?
 
Até hoje ninguém, mas ninguém mesmo, deu-me uma resposta aceitável. Que tal você que está lendo esse texto agora, ao postar um comentário, desse uma sugestão ou resposta para essa minha antiga dúvida.