Meus amigos, vocês podem ficar tranquilos, o título da história talvez possa deixar transparecer que era um local sórdido, mas não é nada disso, a esquina era do bem onde a rapaziada da redondeza fazia seu ponto diário, os encontros da moçada eram combinados tendo como ponto de referência essa esquina.
O local ainda existe, mas agora bem diferente, fica no cruzamento das Ruas Lucas Obes e Silva Bueno, na década de 40/ 50 de um lado ficava a Padaria Globo, do outro ficava o Bar e Bilhares do Pinto, em frente a padaria na Silva Bueno paravam os bondes e ônibus que vinham da cidade, no outro lado da mesma via, em frente ao bar, ficava o ponto de parada dos bondes e ônibus que seguiam para o centro da cidade.
No lado direito da Lucas Obes, esquina com a Silva Bueno, havia uma casa construída no fundo do terreno, na frente havia uma frondosa árvore e aí ficávamos batendo papo, falando abobrinhas e piadas antes de seguirmos cada grupinho para seus programas, nessa casa residiam o Tonhão encanador e seu irmão Rubião, este último centroavante do segundo quadro do C.D.R. São José.
Devo frisar que por aquela esquina passavam as pessoas que iam pegar condução para a cidade ou para o Sacomã, havia o maior respeito para com as moças e senhoras que por ali transitavam, ninguém dirigia um gracejo por mais elegante que fosse e o papo cessava quando elas chegavam perto.
Não se sabe ao certo por que se chamava "esquina do pecado", creio que era um local onde a rapaziada contava suas piadas pesadas e suas aventuras amorosas mais picantes.
Hoje passei pelo local, já não existem mais a Padaria Globo (agora é uma loja de móveis rústicos), o Bar do Pinto (hoje é uma padaria sofisticada) e a casa dos irmãos Tonhão e Rubião (hoje é um prédio de quatro andares).
Confesso que me emocionei ao relembrar momentos de um tempo que não volta mais, cheguei a ficar com os olhos marejados.