A mulher sapo

Certa vez, na época de férias, eu e a minha esposa escolhemos a cidade de Serra Negra para passarmos uns 15 dias de férias.
 
Na época, escolhemos o hotel Pavani; era uma maravilha, tinha um bom restaurante, à noite tinha filmes (tinha um pequeno cinema para umas 50 pessoas), ficamos em um ótimo quarto. Foi na época do Natal.
 
Na manhã seguinte, fomos tomar café. Tinha uma linda mesa de frutas, bolos, pães, sucos, café e leite. Depois fomos tomar um banho de piscina, sentamos nas cadeiras perto da piscina, depois de um bom tempo tomando banho de sol, pedimos umas caipirinhas, uns petiscos etc.
 
Quando sentada ao nosso lado estava uma senhora gorda, baixa, bem barriguda, cabelos muito mal tratados, e puxou conversa com a minha esposa, ela disse: vocês gostam de beber, eu estou observado que vocês já beberam várias caipirinhas. 
 
Na hora, eu levantei-me da cadeira e disse: quem é a senhora para ficar fiscalizando a nossa vida? Eu não a conheço… Ela ficou vermelha, não esperava a minha reação, e disse: é porque beber muito faz mal a saúde.
 
O marido dela que chegou depois e ouviu a conversa pediu mil desculpas. Fiquei muito aborrecido com a mulher, eu não mexo com ninguém, estava de férias, curtindo uma piscina, não aceito uma estranha dar palpite na minha vida, fiquei possesso de raiva.
 
Fomos embora da piscina. À noite, fomos jantar, chegando ao restaurante a mulher que estava na piscina estava sentada na mesa ao lado da nossa, fui falar com o mestre para mudar de mesa, e ele disse que não podia porque era de acordo com o número dos quartos.
 
Nos 15 dias de férias aquela mulher ficou no meu pé, era na piscina, no jantar, no cinema, etc. Quando chegou o dia da festa do Réveillon, lá estava ela toda arrumada, na mesa, toda alegre tomando refrigerante.
 
Minha esposa não parava de rir, eu perguntei o porquê daquela risada e ela disse: olha bem para nossa vizinha de mesa, ela parece um sapo. Era verdade, baixa, gorda vestido verde brilhante, olhos arregalados observando todo o salão e reparando nas pessoas, e dando palpites sobre elas.
 
O coitado do marido saia sempre da mesa e ficava andando em volta do salão. Fiquei com pena dele, devia ser horrível viver com uma mulher que quer dar palpite da vida dos outros.
 
No fim das férias, na hora de voltar para são Paulo, ela, a mulher sapo, nos deu o endereço dela. Ela morava num apto. de alto padrão no Jardim América. Aí eu entendi porque o marido aguentava a mulher sapo, ela devia ser muito rica.
 
Enfim, foram férias maravilhosa. Nunca mais eu vi a famosa mulher sapo.