Como já mencionei, minha mãe tem uma memória privilegiada! Adorava estudar e nesse período já morava na Rua Vicente Soares e ia a pé até a Avenida Cruzeiro do Sul/ Santana, para frequentar as aulas do então Grupo Escolar Buenos Aires.
Lembra que os meninos estudavam separados das meninas, inclusive no recreio – separados por um muro no pátio (seu bisneto Carlos Eduardo, quando cursava o 1º ano, fez uma entrevista com ela sobre o seu tempo de escola; ao saber desta separação, estranhou e curioso perguntou quem tomava conta do recreio e, ao responder que era o inspetor, ele perguntou se o mesmo ficava andando em cima do muro para vigiar os alunos…).
As carteiras de madeira (os alunos sentavam em duplas) tinham um depósito para tinta (o servente passava abastecendo o mesmo), pois quase toda a matéria era copiada da lousa e utilizava-se caneta bico de pena.
Certa ocasião, vinha ela atrasada para a escola e caiu na calçada da Rua Voluntários da Pátria (disse-me que eram pedras grandes e que a rua tinha paralelepípedos), o que ocasionou um sério machucado no seu joelho esquerdo. Algumas pessoas prestaram socorro e a levaram para uma farmácia localizada na Rua Dr. César (Dr. Lobo?). Como não gostava de faltar, foi assim mesmo para a escola, mas, lá chegando, o portão já estava fechado e o inspetor não queria deixá-la entrar… Mas o mesmo cedeu diante da insistência e justificativa.
Mas o mais triste de tudo, segundo ela, não foi só a dor do machucado; ela havia ganhado de seu cunhado Durval uma maleta de madeira que ficou destruída quando levou o tombo – tem a cicatriz no joelho para provar o fato.
Lembra-se do nome de cada uma das suas professoras e o jeitinho peculiar delas, principalmente o modo como se vestiam: sempre de saia, casaquinho, blusas claras com bordados, babados e rendas e meia de seda com sapatinho de salto.
Mesmo passado mais de oitenta anos ela cita cada uma delas: no 1º ano professora Antonieta (baixa e gordinha); no 2º ano professora Albertina (alta, robusta, também sempre vestida de preto e morava na Rua Voluntários da Pátria, na altura Rua Francisca Júlia, cujo irmão, professor Jorge, era diretor da Escola Prudente de Moraes, que localizava-se na Rua Voluntários da Pátria, abaixo do Colégio Santana – um casarão antigo); nos 3º e 4º anos professora Clementina (sua vestimenta também era sóbria e usava o cabelo preso arrematado com um birote e ela morava no começo da Rua Olavo Egídio). Gostava muito de todas elas e até das substitutas (professora Josephina, que era filha do açougueiro da Rua Alfredo Pujol/ Rua Voluntários da Pátria).
Doces lembranças…