Estava lembrando da minha mocidade quando tinha 17 ou 18 anos, como a nossa educação era rígida, os nossos pais nos ensinava o que era certo ou errado; aos domingos, na parte da manhã, íamos à missa no Colégio São Luis, na Av. Paulista, em São Paulo. Depois, almoçávamos e íamos com os colegas nas matinês (nos cines Ritz, da Consolação, ou nos cinemas da Rua Augusta, tinha vários).
À noite, nos reuníamos no bar do Bigode, para jogar conversa fora, era uma vida normal. Não tínhamos a violência, os assaltos, as manifestações, as brigas, as drogas de hoje; levávamos uma vida maravilhosa, da casa para o trabalho, do trabalho para casa. Namorávamos, íamos aos bailinhos da casa dos amigos, era uma vida feliz.
Podem me chamar de nostálgico, mas nunca tínhamos ouvido falar que um filho tinha matado o pai, ou vice-versa, que o marido matou a mulher, ou vice-versa; tudo bem, os crimes sempre aconteceram, mas não como nos dias de hoje, o povo abandonado, sem saúde, educação, sem um futuro certo, políticos, todos corruptos; hoje a mocidade não tem uma perspectiva de vida, a prostituição e a vida incerta tomou conta da nossa juventude.
As televisões só mostrando sacanagem, novelas, programas, todos sem atrativos nenhum. Enfim, na minha mocidade, aos domingos, eu ficava preocupado na hora da missa ao me confessar com o padre e falar dos meus pecados. Hoje em dia se falar para um jovem se confessar ele vai dar risada e chamar de careta. Vai dizer que essas coisas são passadas; vendo hoje em dia as bandalheiras, as corrupções, as roubalheiras, etc., eu vejo como eu era inocente, ao falar para o padre antes de me confessar: “Padre, dai-me a bênção porque eu pequei”.