Amor à música e ao samba

O samba do crioulo doido é outra história, preciso explicar aos nossos leitores, pois quando coloquei o título em outra história deveria ter sido chamado de “O Amor à Música”. Assim, agora tentarei explicar o que é esse samba querido nacional.
 
Stanislaw Ponte Preta, ou Sérgio Porto, foi o autor desta pérola. Incumbido de compor um samba do crioulo doido, o sambista foi obrigado a ler diversos livros para entender o significado da pesquisa. E essa leitura resultou no samba, na interpretação dos Demônios da Garoa, que para nós paulistanos tem um significado bem diferente. Ele está relacionado com nada mais nada menos com Adoniran Barbosa, não digo que seja o melhor sambista, mas paulistano não tenho duvidas. Ele é o cara. E junto com Elis Regina formaram a dupla fenômeno, apesar do passamento precoce da pequenina Elis Regina.
 
Em relação aos sambistas de outros estados, especialmente o Rio de Janeiro, ficamos para trás. Não fosse o Adoniran seria para nós paulistanos uma vergonha, porque diziam que em São Paulo não havia sambista. Adoniran quebrou esse tabu com o seu acervo musical, equilibrando as composições de sucesso.
 
Nunca li nada a respeito, e veja vocês por que sendo eu a pessoa designada para dizer essa verdade, que São Paulo não fica para traz do Rio, nem de Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul… É isso mesmo, Rio Grande do Sul também tem sambistas para mim representado pelo compositor e cantor Lupicínio Rodrigues.
 
Este texto tem relação completa com o samba do crioulo doido que por audácia designei um texto sobre os sambas brasileiros. 
 
Dorival Caymmi, raramente na Bahia, esse estado se fundamenta nos carros de som equipados com alto-falantes potentes espalhando o ritmo do frevo, axé, e outras mandingas mais, mas samba puro mesmo, para mim é o Rio de Janeiro.
 
O que determina se o samba é bom é quando os ouvidos do povo canta e cantarola as músicas do autor. Sambista carioca: Paulinho da Viola, João Nogueira, Martinho da Vila, Luiz Carlos da Vila, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Almir Guineto.
 
E São Paulo? Beth Carvalho é carioca nascida em maio de 46, tem minha idade, sou um pouquinho mais velho, pois sou de março 46.
 
Tem mais um detalhe nesta história. Os sambas enredo das escolas de samba do Rio de Janeiro, São Paulo… Que deram passos gigantescos para a apreciação do público, mas só se o cara for amarrado em Carnaval e a folia do Rei Momo.
 
Bom mas como eu dizia… Eu queria mesmo era ser compositor de samba. Só de pensar no ruído do bumbo, do atabaque, do cavaquinho, do saxofone, cuíca, bandeiro e bandolim… Entro em êxtase! E apesar de não ser sambista enrolo um pouco na hora de sambar.
 
Consta em meu currículo um desfile de Carnaval realizado em minha terra natal que desfilei depois que a escola se sagrou campeã. Pequei carona depois do resultado do desfile, isso a muito atrás, sai com meus conhecidos desfilando pela avenida até a nossa Vila Operária com o acompanhamento do público torcedor.
 
Então é assim. Tem roda de samba estou junto, emprestando o meu ouvido. Vocês acham pouco? Eu não, há muitos músicos que tocam por ouvido e esses são instrumentistas natos, isso coisa antiga, porque hoje em dia tem até faculdade de Música, onde o cara aprende música compondo em partituras, com aqueles desenhinhos das notas musicais, sem falta a clave de sol, aquela chave linda que parece um "&" (um e comercial) tão vendo como entendo de musica?
 
Para finalizar: Nos tempos de menino no colegial nós estudávamos além das línguas inglês, Francês, Português também o Latim e o Canto Orfeônico, por isso é que me considero um entendido no assunto.
 
Alguém duvida?! Risos.
 
 
 
Samba do Crioulo Doido
Demônios da Garoa
 
“Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes
 
Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar
 
Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta
 
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também
 
O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou”
 
Nesta história queremos homenagear também o imortal Sérgio Porto.
Obrigado.