Eu havia me formado no curso de formação de professores, o magistério, e cursava meu primeiro ano na faculdade, quando tive a oportunidade de lecionar em uma escola municipal no Itaim Paulista e em uma escola estadual, na Vila Nitro Operária, em São Miguel Paulista.
Minha rotina, naquele ano, havia mudado e meu dia estava cheio de atividades. No período da manhã era a faculdade, a tarde e a noite eram preenchidas pelas duas escolas. O translado entre a faculdade e as escolas eram feitos de ônibus mais os trechos que só podiam ser feitos a pé. Era uma correria e um desgaste grande, mas isso eu havia escolhido, então nada de reclamar.
Por ter que andar de um lugar para outro de condução, eu não aceitei levar a marmita que minha mãe me ofereceu fazer todos os dias. Eu não achava prático ter que levar muito cedo uma marmita para a faculdade e depois para escola no Itaim Paulista, onde eu teria um horário para almoçar.
Achei que poderia comer algo por ali mesmo perto da escola ou na saída da faculdade. Assim comecei a comer na hora do almoço uma besteira aqui, outra ali, e tudo era festa. Depois de um tempo é que veio o resultado, acabei ficando vulnerável por não me alimentar corretamente e peguei uma gripe muito forte que me derrubou na cama. Tive que tirar uma licença para me recuperar o que acabou por me conscientizar da necessidade de cuidar da alimentação. Com certeza aprendi a lição.
Quando voltei a trabalhar, após os cuidados da minha mãe, resolvi então comprar uma marmita redonda com divisão, uma mochila também redonda que coubesse aquela marmita e meus outros apetrechos e mudei a rotina, aceitando o carinho e conselho de minha mãe.
À noite, minha mãe preparava minha marmita e deixava-a na geladeira. Pela manhã, eu colocava-a na mochila, daí seguia para a faculdade e depois para a escola. Lá, eu esquentava-a em banho-maria e depois era só saborear a comidinha gostosa da mamãe que me fazia tão bem.
Tive sorte da comida nunca ter azedado, principalmente nos dias de muito calor, porque ficava fora da geladeira a manhã toda, mas minha mãe embrulhava-a de forma que ela ficava bem fresquinha até eu chegar à escola.
Essa marmita me fazia tão bem, que nunca mais fiquei doente e adquiri muita força para dar conta de toda maratona do meu dia. Vale ressaltar que naquele tempo, não tínhamos vale-refeição, muito menos vale-transporte, tudo saía do salário que recebíamos no final do mês.
Levei marmita para o trabalho até me aposentar, acostumei tanto que não a deixava por nada deste mundo, com a diferença de que, depois de casada, eu mesma passei a prepará-la e isso aprendi com minha mãe.
Esta marca foi tão forte, que, quando minha filha começou a trabalhar, eu passei a fazer sua marmita e não deixar acontecer o mesmo que aconteceu comigo.
Nada fácil minha vida de marmita, mas foi a solução que encontrei para meu problema.