Eu só vou gostar de quem gosta de mim

“De Hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida”.
 
Este trecho da canção de Roberto me faz lembrar do tempo de “menino”, isto é, o da nossa juventude. A letra, a harmonia e o ritmo desta canção dos anos 60 nos fornecem as emoções fortes vividas, paixões, amores difíceis, alguns impossíveis, não combinavam. O nome da canção, se não me falha a memória, é a que diz também: "Eu só vou gostar de quem gosta de mim". Mas eu só vou gostar de quem gosta de mim.
 
Parece, a princípio, somente um estágio sentimental onde a dor e a saudade, a dor do sentimento não correspondido por aquela a quem dedicamos quase sempre todo o nosso tempo. E é por isso que a “paixão” sentida não é bem recomendada para quem quer se unir para sempre. Na paixão, há um descontrole de sentimentos. Quem experimentou sabe que isto não é amor paciente, assim querendo o bem do outro (a), mas somente o seu. 
 
Penso também que uma paixão desenfreada, quando encontra pouso, torna-se dramática, caso em que o poeta e escritor Shakespeare protagonizou entre Romeu e Julieta. Este assunto é tão ruim de tratar que não dá nem vontade de prosseguir.
 
Já um amor consciente, pés no chão, equilibrado, dá mais resultado e prossegue adiante chegando à velhice. É preciso ter uma boa dose de discernimento para esperar o momento certo e adequado para se dizer alguma coisa ou propor uma solução que seja boa para os dois. Os filhos e os netos nos ensinam bem a dosar as emoções forçando o nosso equilíbrio e o “juízo”, palavra que por si só nos indica o bom senso.
 
O namoro deve seguir continuamente. Adaptar-se aos tempos. Temos uma vida para viver, uma vida para experimentar, todos esses estágios. Quando se chega a uma idade madura, raramente se comete alguma bobagem ou riscos graves, pois durante a trajetória aprendeu-se a raciocinar a se autoaconselhar.
 
Dificilmente um amor perene assim consegue sobreviver aos tempos quando não alimentados pela fé e a razão e pela oração. Anos atrás tive o privilégio de me reunir com a esposa Márcia e com outros casais, coordenados por um instrutor que nos pregou essências para um verdadeiro amor. Deu resultados, mas com arranhões. Seguidamente a oração do esposo e da esposa roga ao Pai que nos proteja e cuide da pessoa amada do mesmo modo que Cristo amou e se deu pela sua igreja.
 
O que escrevo não é para criar polêmicas. Trata-se de um exercício com testemunho de fé e devoção para quem quiser permanecer unido respeitando os nossos limites e de cada um, nesse processo contínuo de amadurecimento. Estou neste momento recordando daquelas uniões estáveis dos nossos “velhos” daqui do site, companheiros que fazem o mesmo naquilo que estou tentando descrever.
 
Se cabe no meio do site SPMC, penso que sim, pois ao menos tenta-se demonstrar uma experiência que somente aos idosos chegam a comemorar, mais uma data natalícia, do Natal da prosperidade, do Natal da vida plena, do Natal da convivência em uma só família, a nossa que não é isenta de atribulações e de dificuldades encontradas no caminho…
 
Que Deus de nossos pais, os nossos anjos da guarda nos protejam para sempre, amém. Texto que dedico ao meu primeiro e queridíssimo neto, o Mateus.