Para a alegria das crianças, meu pai resolveu plantar morangos, no jardim da nossa casa, no alto de Santana.
Quando arrumou as mudas foi uma festa. Era só esperar a chegada das frutinhas.
Várias apontavam delicadas flores branquinhas.
Todo santo dia alguém observava o pequeno jardim ensolarado.
Regava-o. Logo notei o aparecimento do primeiro moranguinho. Que maravilha, o negócio brotou!
Cada dia aumentava o tamanho do morango e o Sol deixava-o vermelhinho.
Irresistível, o ajeitava em cima das folhas para acelerar o amadurecimento.
Experimentei o seu sabor delicioso, com sérios protestos dos irmãos, que ficaram mais atentos na pequena plantação.
Um dia, em um cantinho do canteiro, apareceu uma folhagem diferente.
Crescia rápido, com folhas largas e fortes. Perguntei para a minha avó o que seria aquilo.
Também com dúvida, orientou para observarmos.
Parecia um pé de milho perdido, no meio dos morangos.
Após uns três meses, ele superou a minha altura, de criança, e quase por mágica, apontou duas pequeninas espigas e seus claros cabelinhos.
Ficava encantada com todo esse crescimento, dos morangos e do milho.
Sonhava com o dia da colheita.
Afobada, não resisti e as cortei. Que arrependimento! Elas estavam em formação.
Aprendi muito com essas plantinhas. Em especial, o inesquecível perfume e sabor do morango, sem adubo ou inseticida e, principalmente, respeitar o tempo necessário que cada ser precisa para amadurecer.