Jânio Quadros

Jânio Quadros mesmo tendo nascido em Mato Grosso era um autêntico paulistano. Nasceu num dia 25 de janeiro. Justamente no dia em que a cidade de São Paulo aniversaria. Aqui ele se formou. Foi nas arcadas do Largo de São Francisco, e foi professor do Colégio Dante Alighieri, que 1947, encorajado por seus alunos de português e de geografia, candidatara-se a vereador, tendo obtido votos que o credenciou como suplente, vindo depois assumir em definitivo sua cadeira como edil. Em 1950, após combativa atuação como vereador candidatou-se a Deputado Estadual sendo eleito, e firmando seu nome no conceito popular tendo o bairro de Vila Maria como sua base eleitoral, onde promoveu reuniões populares e delas sempre participando. Tinha ciência das necessidades do povo e do que ele queria além de melhor alimentação, participar dos benefícios do progresso. Mas acima de tudo queria a participação do povo na política, tinha consciência de estar construindo a riqueza da cidade e desconfiava dos tubarões. Um programa com poucos pontos concretos, mas envolto por uma retórica incendiária e uma mística de “profeta populista” olhar esgazeado, cabelos revoltos, caspa no paletó e sanduíches comidos diante do microfone nos comícios, e já tinha fama de etílico desde o tempo em que cursava direito no largo de São Francisco. Sua campanha (“Revolução do tostão contra o milhão”) foi memorável: Quase 10 comícios por dia, onde o povo ouvia atento o “messias- demagogo” e para a classe média, o acadêmico hiper correto, o professor de português moralista transformado em justiceiro vereador pelo Partido Democrata Cristão. Em 1953, veio a eleição para prefeito da cidade de São Paulo. Era a primeira vez que o povo paulistano ia votar num prefeito. Até então os prefeitos eram nomeados pelo governador do estado. Coisa que o governador Lucas Nogueira Garcez, fez questão de acabar. Jânio se candidatou e tinha pela frente o professor Francisco Antonio Cardoso, apoiado por Adhemar de Barros. Foi ai que entrou a campanha do tostão contra o milhão. Jânio foi trabalhando naquele seu estilo de falar de uma maneira diferente dos políticos. Usava termos difíceis de se entender. No Bairro do Itaim Bibi, Jânio fez um comício na rua Joaquim Floriano no terreno próximo a rua da Ponte onde Mazaropi erguia seu circo teatro. A certa altura ele tirou uma banana do bolso e começou a comer dizendo que até àquela hora não havia comido nada. Foi eleito derrotando uma das maiores forças políticas de São Paulo e do Brasil. Em seguida eleito governador de São Paulo e mais tarde Presidente do Brasil. Já como presidente em sua curta carreira presidencial foi manchete de todo tipo. Um dia ela num fusca Azul pôs-se a passear pela cidade de São Paulo. José colchoeiro que tinha sua oficina na avenida Imperial (Rua Horacio Lafer) não quis a creditar que aquele homem esguio perguntando onde ficavam as casas do deputado Leôncio Ferras. Só teve certeza mesmo quando no dia seguinte os jornais mostravam em manchetes de primeira pagina Jânio dirigindo aquele fusca azul.
Era uma figura excêntrica. Usava alpargatas, blusões folgados, jaquetas tipo safári, apelidados de pijânios. Era a imagem tropical, de um novo estilo de presidente. Governava na base de bilhetes, muitos dos quais de tornaram-se decretos.
O bilhete mais sensacional foi para o diretor do diário oficial.

Ao diário oficial! (diretor) Indago:
a)Consta do original (ministério da Viação dia 6, pagina 7, despachos do ministro, um acento grave na palavra maquinaria?)
b)Ter presente que o referido vocábulo ao longo do ensinamento dos gramáticos de escola não leva acento nenhum. A pronúncia correta, aliás, é maquinaria. No que concerne à tônica, ela incide sobre o “ i ”
e não sobre o “ a ”
c)Quem quiser acentuar o “a ” que mude o sexo da palavra: escreva maquinário.
d)Elucido, ainda, que maquinário ou maquinaria indica, e só, conjunto de máquinas;
e)Aliás, maquinário é vocábulo horrível. Usar maquinaria. Ou maquinismo. Maquinário, não!

Meses depois, ele decepcionaria todo o Brasil renunciando seu mandato. Virou manchete repetida por muitos anos. O comentário sobre sua decisão também ficou por muito tempo circulando.

Afonso Arinos, um dos que receberam muitos bilhetinhos de Jânio, dizia: Jânio foi a UDN de porre.

Já o prefeito de São Paulo, Prestes Maia, achava Jânio o maior ator nacional.

Quem deu uma opinião mais longa, foi o deputado Mário Martins (UDN) Cinco figuras históricas parecem ter influenciado o Sr. Jânio Quadros.
1)Jesus Cristo, 2)Shakespeare, 3)Lincoln, 4)Lênin e 5)Chaplin.
O problema é que a gente nunca sabe, quando ele imita esta ou aquela personalidade… Muitas vezes procuramos Cristo e damos de cara com Lênin.
Em 1985 voltou a se candidatar a prefeito, e novamente disputava com um professor e de sobrenome Cardoso. Amplo favorito como o Cardoso de 1953. Era tão favorito que a pedido dos fotógrafos sentou-se à cadeira do prefeito Mario Covas. Uma foto para a posteridade. Surpreendentemente Jânio venceu por 150 mil votos de vantagem. Ao tomar posse fez uma das muitas de outrora. Pegou um Spray e desinfetou a cadeira dizendo: NADEGAS INDEVIDAS OCUPARAM ESTA CADEIRA ANTES DA HORA
Jânio Quadros deixou saudade.

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