Anos 60. Ainda jovem, eu comecei a trabalhar no Banespa, o salário não era lá essas coisas, mas dava para ir, de vez em quando, aos Teatros Natal e de Alumínio. No Teatro Natal vi uma peça – Anjinho Bossa Nova – com o Paulo Silvino e uma coisinha muito linda chamada Brigitte Darling. Nunca mais soube dela. Vi, também, outra peça do e com o Paulo Silvino – O Cunhado do Presidente – uma gozação em cima do Brizola. Não encontrei nenhuma referência a ela na Internet. No Teatro de Alumínio, os espetáculos mostravam mulheres mais bonitas e mais ousadas. O preço da entrada variava de acordo com a proximidade do palco. Aqueles que ficavam na primeira fileira, geralmente tinham o privilégio de receber o carinho de alguma das vedetes, que sentavam em suas pernas. Em uma das noites, inesquecível, consegui um lugar na primeira fila e uma das vedetes – um monumento de mulher – sentou-se em minhas pernas, me abraçou e ficou colocando grãos de uva na minha boca, fingindo me seduzir. Foi inesquecível, mesmo recebendo gozações da platéia. Eu era bastante tímido, mas ousei enfrentar as feras. O curioso é que o meu chefe também freqüentava esse teatro, mas ficava sempre nas últimas fileiras. Nunca soube se por timidez ou sovinice…
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