O primário

Meu primário, no Grupo Escolar "Romão Puiggarí", foi uma passagem muito especial na minha vida. Comecei em 1940 e me formei em 1944. Lembro dos alunos, algumas professoras e um professor, seu Oscar, cuja passagem já contei aqui no site. Das professoras lembro bem, uma se chamava Guiomar e outra, que lembro, Prof. Darcy, linda de morrer. 
 
Dos colegas, lembro do Antonio bicheiro (filho do bicheiro da Rua Monsenhor Andrade), Francisco Stoppa, que se tornou meu amigo, apelidei-o de "chiquestopa" até ele falecer, há quatro anos atrás, o Murilo, filho do farmacêutico, apelidado de "cascão" (sempre com pescoço imundo), não tenho muita certeza, mas um dos colegas de classe foi embaixador brasileiro na ONU, Rubens Bifulco, que em uma entrevista disse que fez o primário no GE Romão Puiggarí, o Moacyr, já falecido, irmão do meu cunhado Osvaldo Espejo.
 
Nesta escola, a primeira de minha vida (e única, completa), tinha o que poderia se chamar de segurança, ordeiro ou qualquer coisa de mantenedor da disciplina dos garotos. Tinha como apelido "Jacaré", por ser bravo, pondo medo em todos os alunos. Foram quatro anos de inesquecíveis ocorrências, que vou lembrando de contar para vocês.
 
Lembro que no primeiro dia de aula, eu, com oito anos (já sabia ler por ter feito um "presinho" com Dona Mafalda, na Rua Lameirão), fui ao GERP levado pela minha querida irmã Maria, que completou, no início deste mês, outubro, 90 anos. Quando ela me deixou lá, lembro que chorei (sempre fui um chorão), meu apelido era "Tistininho", uma corruptela do nome Modesto, por ser filho de "polignanês", de Polignano a Mare, província de Bari, sul da Itália. 
 
Em casa, desde que nasci, meus irmãos e irmãs me chamavam de "meg timb" ou seja "mau tempo" porque chorava muito (até hoje, o SPMC me fez chorar muito esta semana…) e também de "japonês”, por ter os olhos bem fechadinhos. Para me fazer raiva, eles cantavam um hino da bandeira ou do soldado, não lembro, mais ou menos assim: "Já podeis da pátria, ó filhos…." distorciam a letra para "japonês da pátria ó filhos…”. E eu chorava aos prantos.
 
Lembro que, neste primeiro dia, estava no recreio e via os outros garotos sentarem nos bancos, mas de forma diferente: com os pés no assento e a bunda no encosto. Achava, e era, um desconforto abominável, porém, se todos sentavam assim, eu não podia ser diferente. Por hoje é só.