30 de setembro de 2013. Chove e lá fora no gramado tem um casal de quero-quero. Não os vejo agora, estão abrigados da chuva. Mas estão lá e esperam. Esperam a chuva passar, esperam o filhotinho nascer, esperam.
Recordo-me de outro dia 30 de setembro (de 1975). Chuviscava lá fora. Saí na manhã fria de primavera para embarcar num sonho. Mas antes do sonho, embarquei em um trem na Estação Roosevelt (a antiga Estação do Norte) rumo ao Vale do Paraíba. Era o início de algo que eu almejara tanto!
Eu era um menino, não sei se sabia bem a que me propunha, mas ia que a vida tem isso de ir. De procurar.
Milhões de coisas aconteceram – poderia ter sido mais feliz talvez, não fui e fiz muito pouco para merecer ter sido. A felicidade demorou a chegar mais do que eu poderia supor, foram outros caminhos que percorri para alcançá-la, mas veio, e agora que 38 anos se passaram – e tão depressa – que nem parece que foram tantos assim, entendo que esses quero-queros que hoje vejo no gramado não são aqueles que num passado recente vi, eles, os irracionais, têm essa vantagem sobre nós, passam pela vida, perpetuam a espécie e se vão sem deixar marcas. Com os homens não é assim e o aproximar-se da partida é doloroso demais, especialmente quando se foi tão feliz.