Os técnicos dos meus velhos tempos

Nos meus velhos tempos de torcedor do bom futebol e deixando o “clubismo” de lado, lembro-me dos bons técnicos que cochilavam no banco e mesmo assim eram campeões. Porque quando se tinha um bom plantel como aquela seleção de 1958, em que o Vicente Feola era o técnico, não eram necessários esses jogos de números que são os sistemas modernos de hoje: 4 – 3 – 3 – 1 ou 4 – 4 -2 – 1 ou 4 – 4 – 1 – 2, e por aí afora.

Naquela época, lembro que jogávamos com o esquema tradicional, 2 -3 -5, em que, com os números na camisa, era indicada a posição dos jogadores, 1 goleiro, 2 e 3 eram os beques ou zagueiros, 4 e 6 médios esquerdos e direito e o 5 o centro médio. A linha era formada com o 7 ponta direita e o 11 o ponta esquerda. Aí vinha o 9, que era o homem gol, o centroavante ou “center foward”, e os meias 8 e 10 que eram ou os pontas de lança ou os armadores.

O técnico que menos me agradou foi o carioca Flavio Costa. Esse me fez chorar, eu tinha 15 anos naquela tarde tristemente inesquecível, em que perdemos a Copa em 1950 jogando em casa. Ele era bairrista, pois como era carioca só escalava jogadores do Rio e também era acusado de “clubista”, pois como era vascaíno ele procurava encaixar sempre um vascaíno na seleção. Na época, a melhor linha média brasileira era formada por Bauer, Rui e Noronha, e ele só escalava a linha média vascaína Eli, Danilo e Bigode e só o Bauer foi convocado como reserva. Depois de jogar em São Paulo no jogo com a Suíça, em que empatamos 2×2, não houve jeito de mandá-lo de volta para a reserva. Outra injustiça foi o paulista Cláudio, que era o melhor ponta direita do Brasil e nem foi convocado. Esse técnico foi um dos responsáveis pela nossa derrota na Copa.

Em 1958, o Feola era um mero assistente privilegiado, pois aquele time nem precisava de treinador e assim fomos campeões. Agora, lembrando treinadores que mudavam o jogo como em um passo mágico, lembro do Brandão, que era um técnico de visão, mais falante e mais moderno para aquela época e que realmente tratava de passar aos jogadores em campo sempre suas instruções e era um verdadeiro campeão. Tive o imenso prazer de conhecê-lo pessoalmente, mesmo porque ele evitou que eu fosse expulso de campo como já contei em uma crônica.

Já o Luiz Alonso Perez, o "Lula", que foi de padeiro a técnico do Santos com aquela verdadeira seleção dos anos 60. Dizem as más línguas que no vestiário jogava as camisas para o ar e quem pegava é que jogava. Que timaço aquele que só nos traz ótimas lembranças, mesmo sendo corintiano, admirei sempre esse time. Com o Gilmar e o Manga, Pagão, Pepe-Formiga, Mengalvio, Zito, Calvet, Dorval, Clodoaldo, Coutinho, Tite e o maior de todos: o "Pelé"; esse time realmente não precisava de treinador.

E aquele Timão dos anos 50, sem querer fazer comparações, mas que me trouxe muitas alegrias. Com Cabeção ou Gilmar, Murilo (ou Homero) e Olavo (ou Alfredo), Idario, Touguinha (ou Goiano) e Julião ou Roberto Belangero, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael (ou Carbone ou Nardo) e Simão, ou Mario, ou Colombo. Mas voltando aos técnicos dos velhos tempos, precisou que o Lula deixasse o Santos em 68 e viesse para o Corinthians para que pudéssemos quebrar aquele tabu que durou 11 anos (20 jogos) com o Pelé sempre arrasando o Alvinegro.

E com um gol do Flavio e outro do Paulo Borges vencer o seu ex-time. Mas temos boas lembranças do Lula, do Jose Casteli, o Rato, do Osvaldo Brandão o campeão do IV centenário, do Silvio Pirillo, do Aimoré Moreira do Renganeschi do Del Debio do Yustrich do Filpo Nunes do Cláudio Cristóvão Pinho, do Paulo Amaral do Jim Lopes, do Fleitas Solich, do Luiz de Morais o nosso "Cabeção" e tantos outros que não já não recordo os nomes, mas que nos deu tantas alegrias sem esquecer das tristezas.