Jardim Nordeste e seus clássicos de futebol amador

Vou contar um clássico, um jogo muito aguardado na época dos primórdios do Jardim Nordeste: bairro da zona leste de São Paulo, adjacente de Artur Alvim e Patriarca.

O clássico em questão era: Artur Alvim x Unidos, era o melhor ataque da época, Artur Alvim, contra a melhor defesa da época, Unidos Futebol Clube.

Na preliminar, o segundo quadro do Unidos perdeu de goleada, sete x um, para o Artur Alvim e todos diziam que o primeiro “tomaria de um monte” também.

O jogo começa, o juiz neste caso sempre da casa, o goleiro titular do Unidos, Sr. Felipe, não está presente no primeiro tempo, foi jogar um torneio semiprofissional pelo Comercial da Praça Clóvis, e quem sai jogando no gol do Unidos é o Sr. Américo, então centroavante do Unidos. No Artur Alvim havia um zagueiro, como diz na gíria da “boleirada”, um negão chamado Cal. Cal não quis entrar jogando, pois disse que o jogo era uma baba e não era jogo para ele.

A bola rola, o ataque do Alvim vinha tabelando desde a defesa com dois irmãos muito bons de bola, mas a defesa do Unidos, com o Sr. Paiol e o goleiro Américo, davam conta do recado, e quem se destaca no primeiro tempo é o goleiro Américo do Unidos com várias defesas. O Sr. Felipe que estava no torneio semiprofissional pelo Comercial da Praça Clóvis, no intervalo diz que está passando mal e pega um táxi com o presidente do Unidos, Sr. Chico, e chega a tempo para o segundo tempo.

No segundo tempo, entra no Unidos o goleiro Felipe que fechava o gol mais do que o Américo, foi quase profissional no Santos, mas não ficou lá, pois era português e na época ele precisava se naturalizar e seu pai não deixou, e eis que então Américo foi para linha jogar de centroavante, o que provocou medo no Artur Alvim, e fez com que o zagueiro do Artur Alvim, o Cal, entrasse na partida na zaga.

O jogo segue zero x zero, o goleiro Filipe do Unidos e sua dupla de zaga fazendo milagres. De repente a bola é lançada ao ataque do Unidos, a defesa do Artur Alvim está aberta, dois minutos para acabar o jogo, Américo domina a bola, dá um chapéu no zagueiro Cal e no goleiro ao mesmo tempo, e toca para o fundo da rede, Unidos um x zero Artur Alvim, na casa do Artur Alvim, e vejam só, Américo fechou o gol no primeiro tempo e fez o gol da vitória dos visitantes no segundo tempo.

Esse foi o único jogo entre as duas equipes, o Unidos não existe há muito tempo, o Artur Alvim existe até hoje, e quem sabe um dia o Unidos seja reeditado por mim e meu irmão, este é o nosso sonho. Pois quem me conta essas e outras histórias desse bairro é meu pai Carlos, hoje com 63 anos.