Em outras histórias que contei aqui, no formato antigo do site, já contei que era um menino feliz e extremamente travesso. Eu era mesmo. Fui um garoto muito levado, que vivia sempre aprontando alguma. Vejam bem… Não era mal-educado nem malcriado, era levado, traquina. Por conta disso, meu pai me matriculou em um colégio de padres, o Colégio Salesiano, que havia próximo de casa, lá na Parada Inglesa. O prior do colégio (responsável pela disciplina) era o padre Bráulio. Um anjo de pessoa. Ele era enorme, devia ter em torno de 1,90 m de altura, mas a paciência que ele tinha com a gente era proporcional ao seu tamanho, foram muitas e muitas vezes que fui encaminhado a ele e ele sempre pacientemente me repreendia e me orientava, de vez em quando me dava um “castiguinho” e a vida seguia em frente.
Mas em um belo dia, eu acho que ele não estava lá em um bom dia e eu naquele dia estava endiabrado. Na hora do recreio, pulei o muro que separava o pátio dos meninos do das meninas e fui lá perturbar a vida delas. Atravessei correndo a roda da ciranda, empurrei uma, tropecei na outra, foi uma gritaria tremenda. A freira apareceu e veio correndo atrás de mim e eu tentando fugir para o nosso pátio, trepei em uma goiabeira que havia lá. Escorreguei, cai, esfolei o joelho, machuquei o braço e parei na sala do padre Bráulio.
Na sala dela, havia um Cristo crucificado em tamanho natural. E o padre, bravo, me fez olhar fixamente para o Cristo e, após alguns instantes, com uma voz forte e incisiva, disse: “Sabe quem fez aquilo para o nosso Deus? Você sabe quem machucou assim o nosso senhor Jesus Cristo? Foi você”.
Quando ele falou isso, imediatamente eu respondi: "Não fui eu não" e comecei a chorar copiosamente.
A minha reação foi tão inesperada que ele começou a rir, me abraçou e explicou que não era isso que ele quis dizer, que ele estava dizendo que foi gente ruim, que não ouvia conselhos para ser bonzinho, que tinha ficado adulto ruim e que tinha machucado Cristo e que seu eu continuasse daquele jeito eu ia ficar igual a eles.
Foi um alívio. De novo, ele me abraçou, me aconselhou e fez com que eu prometesse que ia ficar bonzinho. Prometi e cumpro, por umas três semanas…