Sou espagnola nascida em Barcelona. Cheguei a São Paulo em 1957, tinha 6 anos de idade. Morei um tempo ao lado da fabrica Matarazzo. Ia numa escola que era um barracão de madeira montada encima de troncos d'arvore. Pouco tempo depois fui viver para o barrio de Sacoman. A nossa casinha era pequenina mais linda. Tirávamos água do poço para beber e para o usagem doméstico. Os proprietários fizeram no quintal uma sala de banho, nós enchíamos a banheira com um balde, e si descuidávamos um pouco, alguém mais esperto nos roubava o lugar. Lembro da escola primária Santa Rita de Cássia. Íamos vestidas de uniforme. O Senhor Director era muito severo, cada dia verificava se íamos bem limpas. Fiz à minha primeira comunhão na igreja São Vicente de Paulo que estava na Via Anchieta. Nessa mesma via acabei o meu primário na escola Sr Edgard da Luz. O Senhor Edgard era muito pretinho, um dia lhe perguntei porque ele tinha a palma das mãos cor de rosa, respondeu-me com um sorriso: É porque estão usadas de tanto trabalhar. Eu adorava o País, a Cidade, e a alma brasileira, cheia de calor, de amor e de generosidade. Minha mãe me levava muito ao MAPIN, gostava muito de passear no ascensor e de comer gelados. A primeira vez que vi o viaducto do Chá, fiquei admirada de ver como brillaba o chão. Minha Tia disse a brincar que era porque o enceravam cada noite. Com 9 anos fui para a escola Comercial Maria de Azevedo na Avenida do Ipiranga. Ainda tenho um cuaderno donde os meus profesores e todas as minhas amigas me escreveram palavras de amizada cuando em 1963 meus Pais decidiram de ir embora para a França. Foi mais um sofrimento muito grande. O Brasil era a minha Pátria. Ali aprendi a amar e a respeitar todas as raças e religiões. Hoje tenho 56 anos, viajei por muitos paises porém em nenhum lugar encontrei tanta fraternidade como a que vivi em São Paulo que foi, e será sempre minha cidade. Beijocas para todos.
e-mail do autor: [email protected]