Recentemente, dois amigos conterrâneos descobriram o site saopaulominhacidade e se cientificaram que escrevia parabenizando a minha veia poética.
Do diálogo sobre o texto do Gilmar dos Santos Neves, história, escrita recentemente, resultou o seguinte relato:
Carijó:
Lendo tua crônica sobre o goleiro Gylmar (já vais entender porque escrevo assim com “y”), também vi este fabuloso goleiro jogar, esbanjando classe, requinte e muita categoria.
Bem, tem dois momentos de minha vida em que o Gylmar teve uma rápida aparição. A primeira foi em Criciúma, em 1961, quando o Santos veio para jogar com o Metropol e o Pelé deu o bolo, simplesmente não apareceu. Eles estavam hospedados no hotel Capri, ali na praça, e eu fui louco para pegar o autógrafo do Almir Pernambuquinho, que jogara antes no Vasco, meu time, e de quem eu era fã.
Como não consegui chegar perto dele, pedi ao Clésio Búrigo que pegasse o autógrafo para mim; lembro que era em uma cadernetinha com capa de couro preto, onde eu anotava o que me era importante, menino ainda, com 12 para 13 anos. Com o coração batendo forte, muito ansioso, vi o Clésio, que na época já iniciava sua carreira de repórter, pedindo o autógrafo ao Almir, apontando para mim. O Almir não deu a mínima.
Simplesmente negou. Fiquei triste e decepcionado e gritei para pedir ao Gylmar. Bem, foi muito diferente: além do autógrafo, ganhei também um afago na cabeça com a frase: "tudo bem, moço?" Nunca esqueci daquele gesto e de que ele escreveu Gylmar com Y.
Bem, o tempo passou e um dia, lá em São Paulo, fui comprar um carro na agência Chevrolet, da Vila Mariana, acho que o nome era Vimave, e lá encontrei o Gylmar, sócio da empresa, que me cumprimentou com fineza e elegância, já que passou perto da mesa do vendedor que me atendia.
Lembro que era o ano de 1975. Fui pego de surpresa, quase engasguei, e não tive coragem de puxar conversa e lembrar o episódio de Criciúma, tantos anos atrás.
Por isso escrevo agora e concordo plenamente com tuas palavras e teu recado ao maior goleiro de nosso futebol.
Abraço e até qualquer hora. Do amigo Zé Patrício.
Está, portanto, aí, a prova da categoria do nosso homenageado Gilmar dos Santos Neves, inspirador de tantos goleiros por esse Brasil afora.