A cocada

E aquela voz de homem ressoava:

– "Olha cocada, a branquinha gostosa, olha a cocada, olha cocada moreninha gostosa, olha cocada."

Era um homem, moreno alto, ou eu é que era baixa, pequena mesmo, tinha oito anos. As mães jogavam o dinheiro pela janela, pois era um conjunto habitacional, IAPI, situado no bairro do Cambuci, São Paulo.

Ele carregava as cocadas, todas arrumadinhas, branquinhas, moreninhas, dentro de uma caixa de madeira com tampa de vidro e era presa com uma cinta que fiava no pescoço dele, presa, e ele ia cantando e a gente ia correndo atrás.

Ele fez a vida dele ali e nós crescemos assim e até hoje eu canto:

– "Olha a cocada, a branquinha gostosa, olha a cocada…”