Penha, bairro de verdade

Vim do interior em 1954 e fui morar na Rua Carlos Meira, pertinho da Penha de França. Nesta época fazia compras na Casa Barros que ficava bem na esquina da Rua Caquito e carne comprava no açougue Renato, bem ali na chamada Rua da Penha (a Penha de França).

Meu pai nesta época já consertava televisores para a Mesbla, mas no bairro poucos tinham e os clientes dele eram o Dr. João (dentista), Dr. Benedito Lagonegro, entre outros, porém poucos. Morei também na Rua Persio de Azevedo e na Rua Padre João, em frente ao convento das freiras, mas estudava lá no Liceu Santo Afonso, onde fiz o admissão ao ginásio, a primeira e a segunda série, e depois fui para o Ateneu Rui Barbosa terminar o ginásio e depois o científico.

Tenho muitas saudades dos cinemas tão citados, é claro, pois adorava ir até mesmo ao Penha Príncipe que era chamado de pulgueiro. Lembro das Lojas Rivo onde trabalhei, mas lembro também do restaurante São Luis no Largo do Rosário e de todas as papelarias e bazares, pois estudei no Santos Dumont e caminhava pela Rua da Penha. Nela em frente às lojas econômica de calçados, vi pela primeira vez a caravana do Peru que fala, o depois famoso Silvio Santos que vinha com sua trupe formada por Ronald Golias entre outros.

Lembro da chácara no começo da Av. Cangaíba, onde no final de ano a minha mãe ia comprar a árvore de natal. Das lojas Garbo. Da Escola Nobel. Da King Contabilidade. Da “imobiliadora” da Penha (loja de móveis). Da Travessa Goulart Penteado, onde a turma se amassava. Da padaria Yara, comandadas pelo Castro e pelo Gabriel. Da farmácia do Aldo. Da Drogamarden. Da garagem da VUP que depois virou o Mercado da Penha. Do clube esportivo da Penha, onde me associei em 1959.

Das guerras de fanfarra, pois toquei na do Liceu. Dos professores, Leoni, Ravanelli, Braguirolli, Gladys, Wilson Basílio, do Afonsinho (diretor do LIceu), do Silvio (secretário do Liceu), do professor Cacildo (francês), do professor Nascimento (português). Não posso esquecer o médico da família, Dr. Ricardo Guariento Filho, ali na Gabriela Mistral. Tinha um veterinário famoso que agora não me lembro, ele era até freguês do meu pai. Lembro das missas e da festa que era estar por lá. Dos parquinhos no Largo do Rosário. Do bonde Penha, do ônibus 29 e depois do Penha-Lapa.