Calçadas ou passeios, sua arquitetura, seu uso

O site SPMC oferece a cada um de nós a oportunidade de escrever fatos de um passado, do presente e até do futuro de nossa cidade e cada um escreve de forma diferente, cada um com sua característica própria com detalhes maiores ou menores de algum tema. Creio que na maioria dos casos coincide com a história de vida de outros autores, principalmente quando se tem a mesma idade e morou na mesma região e além do que desperta novos fatos a escrever que estavam adormecidos no subconsciente e vem à tona com a leitura de outrem. Comigo mesmo já aconteceu, e acontece, de ler um texto e me recordar de algo semelhante que também conheço ou vivenciei, a partir daí é só digitar e criar uma nova história com detalhes a mais ou a menos, porém, vivenciado por mim ou por alguém da minha época.

Tudo isso para citar o texto de nosso amigo Vilton, que escreveu sobre "tristes calçadas" recentemente com muita propriedade no que ocorre nesse tipo de meio de locomoção que faz parte de nós todos, que são importantes como uma rua.

Aproveito esse tema para dissertá-lo com minha experiência e creio pela maioria dos autores quanto a sua arquitetura que é visível a todos; sabemos que existe uma lei para a sua largura e tipo de piso, mas o que vemos nada tem a ver com a legislação e cada um faz conforme sua vontade, posses e abusos e/ ou ignorância.

Assim, temos pela cidade a calçada comércio, onde os ambulantes instalam suas barracas legais e ilegais e trabalham o dia todo e até a noite conforme local.

Calçadas rampas, próprias para uso de skatistas, se você pisar com ela úmida é tombo certo.

Calçadas brilhantes, feitas com ladrilhos, próprias para práticas “skabunda”, escorregar e cair lá no meio da rua e fraturar o fêmur, bacia ou braço.

Calçadas escadarias da Sé, possui muitos degraus sem corrimão, que muitos não conseguem subir e tem que se aventurar na rua.

Calçadas Pão de Açúcar, passagem só para escaladores tipo rapel, geralmente localizadas em ruas íngremes.

Calçada solo da lua, muitas crateras de diversas formas.

Calçadas jardim, tem de tudo que é planta, menos calçada: ramagem que descem do muro, grama próxima da guia e mato no meio.

Calçadas obelisco, sempre tem um poste que ocupa metade dela e/ ou duto de respiro da Sabesp.

Calçada moradia, principalmente nas comunidades populares (favela), as casas vão até a guia, onde o poste serve de parede, coluna para a residência e o tapete de entrada fica rua.

Calçada natural, onde não há nenhum tipo revestimento, barro puro.

Calçada lixeira, uma das mais comuns em toda cidade, lixo empilhado tanto no chão como em cestos de todos os tipos, nas comunidades do fundão ficam por dias sem ninguém retirar.

Calçada entulho, diminuiu, mas ainda encontramos entulho de obras e móveis usados ocupando por dias esses passeios.

Calçada córrego, é comum nos fundões da cidade esgoto a céu aberto, correndo diuturnamente em filete continuo e odor horrível pelo passeio, isso quando não é o chorume de comércio de abate de frangos e outros animais.

Calçada midiática, melhorou com a lei da cidade limpa, mas ainda encontramos obstáculos com propaganda.

Calçada estacionamento, comum em toda cidade, onde os veículos estacionam ocupando toda a calçada e/ ou parcialmente.

Calçada barzinho, mais comum à noite, mas já proliferando durante o dia onde os comerciantes dispõem as mesas e cadeiras ocupando o espaço do transeunte.

Calçada taxista, em alguns lugares tem aquele quiosque que ocupam boa parte do leito do transeunte.

Calçada café da manhã, fica próximo às obras civis e ponto de ônibus com grande frequência, geralmente senhoras abrem sua mesinha de 1m², com uma toalhinha branca e ali expõe sua cafeteira e bolos de diversos sabores, principalmente de fubá e a clientela é grande.

Calçada estudantil, próximas às escolas na entrada e saída das aulas, ninguém consegue trafegar nem pelas ruas, os estudantes ficam ali por horas papeando obstruindo a passagem, já fiz isso também.

Calçada sanitário, como é comum vermos dejetos de animais e até humano e urina em muitos lugares que, além do aspecto feio e mal cheiroso, pode se objeto de tombos, vide as calçadas e escadaria do centro nas manhãs não se consegue passar tal fedentina.

Calçada ciclovia, usada e cada vez mais por ciclistas e muitos na contra mão e com possível aprovação na câmara municipal de criar uma faixa em algumas calçadas para ciclista.

Calçada moradia, serve de casa para muitos sem teto, sem família, sem nada, que se esticam e dormem até o clarear do dia e todos tem que desviar dos notívagos.

Calçadas shopping, locais de muito movimento encontramos de tudo: barracas, sorveteiro, ciganas, pipoqueiro, caldo de cana, um do lado do outro.

Calçada fila, fila do banco, do INSS, do futebol, do ônibus, dos shows que conforme o horário não se pode andar por ela.

Calçada grávida, algumas garagens curtas ou carros longos, muitos donos fazem o portão com barriga para fora tipo quadrado ou redondo, tipo saliência para proteger o carro.

Calçada Carnaval ou colorida, independente da qualidade delas, muitos fazem da calçada da forma que melhor convier, misturam cores e pisos.

Calçada corredor polonês, é aquela de tão estreita, passa um pessoa só, formando uma fila longa de pessoas caminhando, se vier outras do lado oposto, alguém terá que ir para a rua.

Calçada da feira, pelo menos duas vezes por semana, quem tem feira livre na sua rua sabe bem do problema, sem mais comentários.

Calçada da fama, por essa nunca passei, nem sei onde existe, só ouvi falar, mas não tenho essa pretensão, ver a marca de um pé, sem sentido, ideia copiada de americano, ainda se fosse calçada com bustos fixados em parede, retratando a fisionomia de um artista, um herói, seria muito mais homenagem, mais real ver um rosto, o pé na calçada pode ser até o meu, todo pé é igual, muda o tamanho e a digital.

Calçada modelo, temos muitas calçadas que são verdadeiros passeios, largas, mesmo com arbustos gosto muito daquelas que tem o mapa de São Paulo, mas já são em minoria, as da Paulista e os calçadões do centro velho e centro novo também são bonitos e alguma coisa em alguns bairros.

Calçadas são partes integrantes de nossas vidas desde as casas em ruas sem asfalto onde a calçadas eram um barranco e serviam de banco e prosear.