Brinco-de-princesa

A Rua Padre João é uma rua importante do bairro da Penha de França. Eu, particularmente, a divido em duas partes porque ela é cortada pela rua Dr. João Ribeiro. De um lado, predomina um vasto e variado comércio com artigos para festas e presentes, lojas de noivas, de roupas, salão de beleza e etc. Além de servir a população com os inúmeros ônibus que ligam os bairros adjacentes como Vila Esperança, Vila Matilde, São Miguel Paulista, Itaim e etc., o outro lado eu considero residencial, onde encontramos muitas casas e condomínios onde moram respeitadas famílias.

Esta rua nem sempre foi assim, em outros tempos ela era totalmente calma e residencial nos seus dois lados. Morei nela e, na minha infância, não passavam ônibus e os carros eram poucos, mas via muita gente desfrutando dos prazeres da bicicleta. As casas tinham quintais, alpendres, varandas e era comum ver os jardins com muitas flores como as margaridas, as rosas, os copos de leite, as hortênsias, os cravos, que sempre estavam lá para embelezar o ambiente. Dentre tantas flores, havia uma que me chamava muito atenção, era o brinco-de-princesa que se exibia nas grades, no formado caramanchão, que existiam nos portões de entrada das casas.

Lembro que a umas seis casas acima da minha havia a casa de Laura, uma amiga de minha irmã mais velha. Eu adorava ir até lá só para admirar o portão de entrada coberto por um arco de ferro, onde o brinco-de-princesa exibia suas flores a quem passava pela rua. Aprendi admirar esta flor clássica de pétalas roxas, rosas e lilás que misturadas ornamentavam as entradas das casas dando as boas-vindas aos moradores e aos seus visitantes.

Na primavera, a floração cobria todos os lugares nus dos portões ou janelas das casas, inclusive a de Laura. Eu gostava de admirá-las por que suas flores se pareciam com as bailarinas, aquelas que encontramos nas caixas de músicas, e isso encantava meus olhos.

Hoje, dificilmente vejo uma casa com jardim e muito menos o brinco-de-princesa que tanto eu admirava e admiro quando a vejo em fotos, que foi o que restou. Acho que esta linda planta não resiste mais ao cultivo em casas, por mais que se cuide delas. Será que está em extinção? Resta-me então adocicar meus olhos nas fotos de revistas.