Vodca e Uísque

No nosso Ibirapuera

Sempre no puxa empurra,

Aquela cadela boxer linda

Sempre vem me ver.

Fica lá sentada,

Olhando a minha pipa no ar,

Sempre meio ressabiada.

Eu brinco com ela:

– Onde está o seu focinho?

Passo a mão na cabeça dela

E em volta onde deveria

Estar o focinho e comento:

– Tem que comprar, não é?

O rapaz com a cachorra,

Diz que ela, tão linda,

Não precisa de focinho

Pois é muito mansinha

E não morde ninguém.

Não avança

E nem hostiliza

Outros cachorros.

– Deve ser a cor dela

Marrom clara e branca,

Igualzinha a Margot

Aquela santa.

Dá até vontade

De ter cachorro.

A boxer chama Vodca.

– É por que o dono dela

Adora uma vodca. Explica

Lembra um cachorrinho

Do meu prédio, o Uísque.

Um schnauzer boa gente.

Deve ter uns cinco anos.

Anos atrás dei para ele

Uma bola de beisebol

Trazida dos Estados Unidos.

Muitas vezes o vi sair.

Saia com a bola na boca

E voltava com a bola na boca.

Acho que ele queria dizer:

– Olhem. É minha.

O Pedrão que me deu!

Coitado, ultimamente

Ele não passa bem.

Está com problemas renais.

Também, com esse nome!