Queria postar duas histórias sobre o edifício Martinelli. Eu tenho algumas lembranças do tempo que já estava em processo de deterioração. Em 1968, tinha 17 anos, fui ao Bar Gruta que ficava no subsolo, bem no início da descida para a Avenida São João. De dia parece que eles serviam almoço, mas de noite foi, de longe, a boate mais antiga que vi em São Paulo. Parece mesmo que o bar lembrava, conforme li certa vez do João Cláudio Capasso, aquele do filme Casablanca.
Para mim era tudo novidade e resolvi tomar uma cerveja e comecei a reparar coisas que nunca vi e fiquei impressionado. A música era tocada por três integrantes para lá de idosos e seus instrumentos deviam ser dos anos 20. Eu sempre gostei das músicas da Velha Guarda, já naquela época, mas aquela lá era tipo Vicente Celestino e aí não dá.
Mas ao meu lado sentaram duas moças, de saias curtas. E o que vi me marcou muito. Uma delas passou a mão nas pernas da outra e falou alguma coisa sensual. Eu fiquei impressionado, tinha 17 anos e o ano era 1968.
Outra passagem foi em 1974, eu tinha um Corcel e tinha conhecido uma moça que morava no Martinelli. Deixei o carro, já era madrugada, estacionado na Líbero Badaró e namorei a moça nas escadarias do Martinelli. Quantas histórias o Martinelli deve ter.