Em 1988 fui até a London, um mercadinho perto de casa. Na volta, na esquina quase em frente de casa, vejo duas meninas se altercando e batendo boca. Fui passando por elas para ir para casa, “uma pega o cabelo da outra e a outra pega o cabelo da uma”, caem e rolam pelo chão:
– Ele é meu!
– Não é não, é meu!
E não largam o cabelo nem de uma nem da outra. Tento apartar, levo um empurrão não sei de quem e o meu vidro de maionese, de dentro do saquinho de compras, sai voando, cai no chão e não quebra.
Elas continuam no bate boca:
– Não é seu não, nunca foi, sua “isso”, sua “aquilo”…
– Eu arranco esse teu rabo.
E puxam que puxam o cabelo uma da outra, fosse homem já tinha saído no tapa. Consigo segurar a mais brava. Afasto a mais cabeluda que estava em desvantagem, lógico. Chegam alguns conhecidos delas e sossegam as duas. Passou. Às vezes via uma ou outra no bairro, depois nunca mais vi, sumiram. Passaram vinte anos, a menina mais brava abriu um cabeleireiro poucos metros do local da briga, na Alameda Sarutaiá. Pensei:
– Bom, ela tinha mesmo queda para pegar em cabelo!
E-mail: [email protected]