Conhecido como Julinho, nascido no bairro da Penha, zona leste, deu seus primeiros chutes no Palmeirinha, da várzea. Passou pela base do E. C. Corinthians Paulista, onde foi dispensado. Aos 19 anos de idade atuou no C. A. Juventus durante seis meses, sendo contratado pela A. Portuguesa de Desportos. Estreou, com derrota, contra o C. R. Flamengo, em fevereiro de 1951, no Maracanã. Em novembro do mesmo ano, ajudou a Portuguesa a massacrar o timão, que o dispensara, marcando quatro gols na vitória por sete x três.
Suas ótimas atuações chamaram a atenção dos clubes europeus. A Fiorentina, um dos grandes clubes da Itália, o contratou 1955. Continuou brilhando e foi campeão italiano no mesmo ano de sua contratação. Permaneceu na Itália até 1959, voltando ao Brasil para defender as cores da S. E. Palmeiras. Integrou a famosa esquadra verde conhecida como "primeira academia", tendo sido supercampeão paulista nesse mesmo ano, em cima do Santos F. C. do rei Pelé.
Foi também campeão brasileiro pela S. E. Palmeiras em seu primeiro título nacional. Atuou no memorável jogo contra a seleção Uruguaia, na inauguração do Mineirão, vestindo a camisa amarelinha, onde o verdão, digo a seleção brasileira, venceu por três x zero. Em 1958, após o fracasso brasileiro na copa do Mundo de 1954, o comando da seleção brasileira passou para nós paulistas.
O Sr. Paulo Machado de Carvalho foi nomeado o presidente da comissão, chamando Vicente Feola para dirigir a seleção. Foi o início das conquistas brasileiras em Copas do Mundo. Feola começou a convocar os grandes craques do nosso futebol, sem o nefasto bairrismo que predominava até então, principalmente entre cariocas e paulistas. Na chamada dos convocados estava Julio Botelho. Julinho havia participado da campanha de 1954. O Brasil, vencido pela Hungria nas quartas de final por quatro a dois, sentiu que o derrotismo tomou conta dos brasileiros. Julinho, que marcou um dos gols, foi considerado o melhor jogador brasileiro da partida.
A Alemanha, embora com uma equipe inferior a da Hungria, foi a campeã. Convocado novamente, Julio Botelho declinou do convite, pois como continuava contratado pela Fiorentina, não achou justa sua convocação para com os jogadores brasileiros que atuavam no país. Mané Garrincha, ponta carioca, foi chamado para seu lugar, como reserva de Joel, outra ponta convocado esse gesto nobre, demonstrou a grandeza de seu caráter e sua hombridade moral.
Em maio de 1959, já no Brasil, Julinho foi convocado pelo mesmo Vicente Feola para um amistoso contra a Inglaterra. Integraria o time dos campeões do Mundo como Didi, Nilton Santos, Gilmar, Zito, Pelé e outros famosos. No dia 13, um domingo, Julinho foi escalado no lugar do consagrado Mané Garrincha. Um pouco nervoso, ao subir a escada do vestiário para o campo tropeçou. Uma sonora vaia de aproximadamente 150.000 torcedores cariocas desabou sobre sua cabeça. Afinal, Garrincha o grande Mané, estava no banco de reservas, sob protestos da torcida.
Nessa tarde eu assistia a esse jogo na casa de meu amigo Zeca. Ao ver o tropeção de Julinho, seu pai, Sr. Nelson, comentou:
– “Chiiiii, o Botelho começou mal. Acho que é mau-olhado.”
Fiquei muito triste ao ver a atitude dos torcedores, pois Julinho era e sempre será um dos meus ídolos no futebol. Que nada, prezado(a) leitor(a) o homem foi o melhor jogador em campo. Deu um excepcional passe para o centro avante Henrique marcar o primeiro gol e assinalou o segundo, na vitória do Brasil por dois x zero, além do baile em seu marcador. Saiu aplaudidíssimo por todos que assistiram este fantástico jogo. Esse foi Julio Botelho, o Julinho da Penha.
Para mim, foi o maior ponta direita do Brasil, de todos que vi jogar. Acompanho o futebol a mais de 60 anos e assisti jogadores espetaculares. Por essa razão, tomo a liberdade, minha seleção brasileira ideal de todos os tempos: Gilmar; Carlos Alberto; Mauro; Calvet; Nilton Santos; Zito; Ademir da Guia; Julinho; Pagão; Pelé; e Canhoteiro.
Este texto é uma homenagem a meu pai, Alberto Luizi, um homem de caráter ilibado e, fisicamente, muito parecido com o personagem desta história.
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