Geralmente me sento na frente do computador e escrevo algo sobre meu passado. Mas hoje pensei muito antes de escrever. E dedico a todos que leem meus textos com carinho.
Minha filha já me disse:
– Mãe, pare de falar do passado, pense no futuro. Por que você fica lembrando-se do que já passou?
Acontece que agora tenho tempo de sobra, como flashes, vou me lembrando de coisas que já tinha me esquecido. Nos dias especiais como Natal, Páscoa, aniversário de provincial, ou da Madre Cabrini, os dias eram especiais.
A gente ensaiava antecipadamente músicas, na capela, onde madre Amélia tocava órgão, de tubos (deve ter até hoje), o som é magnífico. Isso após o jantar e antes do silêncio rigoroso, porque depois do silêncio não se falava mais nada até o dia seguinte. E, no dia da festa, era tudo especial. Comida especial, uniforme de gala, a capela com os castiçais dourado, e as toalhas dos altares todas bordadas com fios de ouro.
No aniversário da Madre Cabrini, soltaram muitos balões brancos que subiram para o céu. No outro ano, foram pétalas de rosas.
No Natal, à meia-noite tomava um copo de vinho e comia um pedaço de panetone. Na Páscoa, geralmente à tarde era representada uma peça no salão nobre, impecavelmente limpo. E ganhávamos também um ovo, não muito grande.
Enfim, viver também é recordar. Belos tempos, belos dias.
Ave sempre bela,
Virgem mãe de Deus,
Do alto mar estrela,
Porta azul do céu.
Novas o anjo traz,
Ave, te saúda,
Funda-nos na paz,
De Eva o nome muda.
Mostra seres mãe,
Faze a nós descer,
Quem por nós nascido,
Quis de ti nascer.
Acho que foi aí que comecei a gostar de poesia.
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