Depois eu não quero que me chamem de "Matusalém". É habilitação Zé! Mas no final da história tem um caso correlacionado ao título. Tanto eu como os primos antes de tirarmos a nossa habilitação já sabíamos dirigir desde os 12 anos de idade. Quando vínhamos para o interior, eles moravam na fazenda, onde tinha uma camionete Ford 29 apelidada de "ximbica" e um caminhão Chevrolet 51 tipo Boca de Sapo, onde nós já fazíamos as peraltices. Meus primos já dirigiam até trator naquela época, chegando até a gradear terras.
Meu tio depois que vendeu a fazenda, foi trabalhar como corretor de café e aproveitava sua condução (uma Kombi) para transportar professoras que lecionavam nos sítios da vizinhança. Meu primo mais velho ao completar 18 anos tirou a sua habilitação, levando uma multa já nos primeiros meses de direção. Meu tio não se conformava dizendo que tinha a carta a mais de 40 anos e nunca tinha tido uma multa em seu prontuário. Também andando dentro de uma cidadezinha e por estradas vicinais sem fiscalização pudera. Essa história ele contou por toda a sua vida até morrer.
Na década de 60 matriculei-me na autoescola que ficava na Av. Celso Garcia perto da Biblioteca Publica do Tatuapé, sendo informado que, sabendo dirigir faria apenas duas aulas praticas de direção para aprender as normas exigidas no exame a ser feito no Detran. O teste era feito no Ibirapuera e nesse dia nem sei precisar quantas autoescolas estavam presentes para o teste.
O percurso era ao redor de um quarteirão. Saia, no final da rua sinalizava com a mão acima do teto do carro dizendo que iria entrar à direita. Era uma descida parando no final. Podendo entrar na rua sinalizava e percorria até o fim, sinalizando novamente com a mão que iria entrar à direita (essa de tirar a mão para fora para sinalizar, exigida na época, nos dias de hoje o motoqueiro arranca sua mão). Era uma ladeira em que você teria que parar assim que o instrutor ordenava, para fazer o teste de rampa. Aí que o bicho pegava, onde a maioria repetia no exame. Havia mais de cem pessoas aguardando a vez justamente na esquina dessa rampa para ver como você iria fazer. Olha acontecia de tudo, a maioria com casos muito engraçado, onde a pessoa esquecia-se de engatar a marcha, outros se esqueciam de soltar o freio de mão, uma calamidade. Nós lá em cima tínhamos vontade de rir, mas o próximo éramos nós, que até a mão chegava a suar só de olhar. Graças a Deus eu fiz tudo direitinho e tirei a “tar” habilitação.
A minha prima Ângela tinha uma amiga não sei dizer se era da faculdade ou do trabalho que era carta nova. Assim que comprou um fusquinha convidou a minha prima a dar umas voltar com ela para ir praticando. Era um sábado e foram lá no bairro do Ibirapuera, e sem perceber entrou em uma rua contramão tendo pela frente um guarda de trânsito que a parou.
– “Por gentileza senhorita poderia me mostrar sua habilitação!”
Ela tremendo perguntou a minha prima o que era habilitação.
– “É a carta de motorista.”
– “a bom.”
– “Pelo que estou vendo à senhorita é habilitada recentemente.”
– “Sim seu guarda inclusive estou andando devagar e trouxe a minha amiga para ir me orientando e praticando ao mesmo tempo.”
– “Muito bem é por aí mesmo, só que você tem que prestar atenção também na sinalização de rua, pois essa rua é contramão, existindo várias delas nesse bairro ok.”
– “Certo seu guarda.”
– ”Pois bem pode ir que vou lá atrás te orientar para você seguir viagem.”
– “Obrigada.”
Assim que o guarda sinalizou para ele sair, ao invés de engatar a primeira, engatou a ré e passou em cima do pé do guarda. Tiveram vontade de rir né, porque não foram vocês.
A outra prima também Ângela morava no Itaim Bibi e foi fazer compras na Clodomiro Amazonas, estacionando o carro nas imediações. Ao retornar não encontrou o carro, ligando para o seu pai. Meu tio mais experiente disse que iria dar umas voltas pelo bairro antes de se dirigir à delegacia. Assim que entrou em uma rua próxima avistaram o carro estacionado, quando a minha prima colocou a mão na cabeça dizendo que havia se enganado de rua, e que de fato tinha estacionado o carro naquele local. Acredito que todos vocês, cada um, tenha vivido ou presenciado cenas engraçadas nesse nosso trânsito caótico ao longo de suas vidas.
Tio Assis o senhor está com as vistas fracas deixe que eu vá dirigindo. Calma lá Brandão, estou enxergando até uma mosca a 200 metros e “pimba” derrubou um tambor logo a sua frente (aqueles de 200 litros) jogando em cima da calçada. Abraços a todos.
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