Até hoje não entendo como funcionava a logística de sortear as tais figurinhas de álbum carimbadas.
Primeiro: Lá em casa nos anos 60 e 70, meus pais criaram uma "pequena empresa" sendo ele o tesoureiro, minha mãe a gerente de produção; meus outros seis irmãos menores eram os piões da produção.
Atividade: empacotador de figurinhas, bairro Vila Sabrina. Fornecedor: uma esperta senhora da Rua Itamonte, que distribuía as figurinhas, pacotes vazios, cola e elásticos. Tínhamos que fazer milheiros e milheiros de pacotes com três figurinhas dentro dos envelopes e “blá-blá-blá”.
Nós, uma família recentemente chegada da Bahia, aprendemos através das figurinhas de álbum quem eram os "reis dos astros","reis do futebol","reis dos pássaros" e tantas outras informações, era a nossa internet da época.Tinha figurinhas de todos os temas. Álbuns que davam prêmios, de liquidificador até bola do Pelé, etc..
Brincar com os amiguinhos de virar figurinha no tapa da mão era o lazer da época. Achar figurinhas para completar o álbum era uma coisa doida para qualquer colecionador! Nós trocávamos figurinhas nas ruas, prédios, clubes ou nos recreios das escolas e principalmente com os meus colegas do primário da escola Enéas de Carvalho Aguiar- Vila Sabrina. Sabendo que eu "empacotava figurinhas", sempre me rodeavam, achando que eu tinha a tal figurinha carimbada.
Pois bem, essa sempre foi a febre que perpetuou por muitos anos. Mas até hoje nunca soube: quem completou um álbum, quem achou a tal figurinha carimbada, quanto ganharam de grana, quem foi promovido na terceirização da pequena empresa familiar?
Só sei de uma coisa: meu irmão mais velho foi promovido a conferente de produção de milhares de pacotes de figurinhas. Eu e os outros irmãos fomos sempre empacotadores. Mas, a tal figurinha premiada… Quem achou? Me conte!
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