Saio do metrô
na estação Vila Mariana
e estou aguardando o sinal
de pedestre para atravessar a avenida.
Estou no horário, com tempo ainda
para andar quatro quarteirões
e encontrar a cliente para mostrar
um apartamento. Foi em 2008.
Usando terno e gravata, alinhado
como a maioria dos corretores de imóveis,
vou aguentando o calor infernal daquele janeiro paulistano.
De repente a senhora de uns setenta
pega no meu braço e fala:
– “Que sorte
que o senhor está aqui.
Vou com o senhor…”
– “Mas espera um pouco,
minha senhora,
para onde a senhora
quer ir comigo?”
– “Ué, o senhor não é o pastor da igreja
do outro lado da avenida?”
Tinha cogitado, antes dela falar
o que queria, que ela estava
me achando um corretor de almas…
Olhando para minha ovelha respondo.
– “Podemos atravessar e não sou pastor,
somente estou pastando”.
Ria e ela não entendia
por que tanto bom humor.
Acompanhei a carente
um quarteirão.
Encontrei minha cliente
e vendi o apartamento.
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