Depois de muito instigada por leituras sobre Cantinas e Comidas, minha memória gustativa aflorou e me obriga a escrever sobre locais e comidas de Sampa, atuais e antigos.
Comecemos pela época de boy, adorava comer um duplo salsicha no Rei da Salsicha ali no Largo do café (existe até hoje e ainda é muito bom) onde você pedia o sanduíche e comia mesmo na rua de tão pequeno que era o bar.
Na esquina do Largo do café com a Rua São Bento, tinha um bar e na porta desse bar uma estufa onde eram vendidas esfihas. Ali também eu fazia uma boquinha.
Outro lugar inesquecível era a Casa Califórnia na Rua São Bento quase esquina com a Praça do Patriarca. Seus sucos e refrescos acompanhados por um sanduba de lingüiça de Bragança Paulista ou de alicci em pão de forma eram fantásticos.
Um pouco antes dessa época eu gostava de, aos domingos pela manhã, passar no Bar Viaducto, na Rua Direita, onde meu tio Elias costumava freqüentar. As coxinhas eram deliciosas.
No Bar Municipal, situado na Rua Barão de Itapetininga, eu ia com meu tio João, depois de uma sessão de bang-bang no Cine Art Palácio, para comer um sanduíche de Rococó (pão preto, queijo gorgonzola, alicci e azeitonas pretas), esse sanduíche hoje só pode ser degustado no Ponto Chic. E na época, eu ia a esse bar lá no Largo Paissandu para comer o Bauru Tradicional, ou então, o Mexido de Ovos com presunto e queijo.
Da salada Paulista, muitos já falaram e eu confirmo todas essas indicações.
Minha descendência árabe não me permite esquecer o Restaurante Almanara da Rua Santo André onde comi vários almoços completos. Lembro também do restaurante da dona Vitória na Rua 25 de Março, hoje mais elitizado na Av. Juscelino Kubitschek.
Lembro também de uma fábrica de doces árabes, instalada na Ladeira Porto Geral, era minha predileta. Uma vez gastei quase todo o meu salário de boy comendo uma bandeja de um doce árabe de queijo que era, e é ainda, meu grande e disparado favorito.
Bem, pulemos alguns anos de petiscos e comidinhas e, vamos aos meus anos de boemia. No rabo da noite (para não ser ofensivo às damas que vierem ler este texto, não chamo o final madrugada pelo nome usual), eu ia juntamente com meu grande amigo Paulo Domingos a um restaurante na Rua Conselheiro Nébias, quase esquina com a Avenida São João: o famoso Parreirinha que depois foi atender seu público fiel na Rua General Jardim onde terminou seus dias de glória. No Parreirinha, ponto preferido do meu amigo Adoniran Barbosa, nós comíamos sempre, de entrada uma Paveza (caldo de carne bem quente e um ovo dentro, cozido parcialmente nesse próprio caldo) e depois, Rãs (de qualquer forma ou um Miolo de Boi à milanesa).
Quando não íamos ao Parreirinha, íamos ao Morais na Praça Julio Mesquita comer um Filé com salada de Rúcula ou de Agrião ou na adega do Pedrinho comer a 1ª. Feijoada da quarta-feira, ou ainda, no Gato que Ri do largo do Arouche, comer uma bela massa.
Depois desse passeio gastronômico, creio ter justificado o porquê de aos 60 anos eu ter me submetido a uma operação e colocado o anel redutor no estomago.
Confesso que outras memórias dessa natureza poderão vir a ser descritas futuramente.