O trem dos sonhos e o banco do sono

Sou "veramente" apaixonada pelo metrô que creio ser “o cara" do século XXI. Esta paixão surgiu no momento em que começaram a construção de uma estação, na esquina da minha rua. Segui todas as etapas e fui me familiarizando com esta obra de engenharia, de alta complexidade, admirável e digna dos maiores elogios. No dia da inauguração, inteirinho de festas, bandas de música, fiz a viagem inaugural e fiquei maravilhada com tudo o que vi.

Dentro do trem, dei com um banco azul, duplo, onde uma placa indicava que era dos idosos, grávidas, mães com crianças de colo e deficientes. Achei de uma delicadeza e sensibilidade fora do comum. A partir desse momento, eu, que venho de um tempo de trens, elegi o metrô como o nosso “trem dos sonhos”, fantástico.

Mas, como tudo que é muito bom acaba sofrendo, por “n” motivos, problemas vários, o meu “trem dos sonhos” começou a apresentar indícios de que estava tendo dificuldades para atender a grande demanda. Uma multidão que aumentava dia após dia fez com que fossem instaladas grades por motivos de segurança. Esta mesma multidão começou a inviabilizar a estrutura inicial. Um dia, observei desanimada que até o banco azul fora dividido ao meio e que os novos trens vinham com apenas um banco azul, isolado e desolado, no lugar do antigo duplo.

O banco azul merece todo um capítulo à parte. De duplo para unitário isola o idoso que parece um corpo estranho naquela estrutura toda. Este banco, desde o início, foi mal interpretado. Ex- crianças de colo não quer dizer crianças no colo, mas há verdadeiros marmanjões que mães pegam no colo com olhares desafiadores e duros para idosos que mal se equilibram dentro do trem.

O pior é que este banco azul começou a transmitir uma espécie de torpor toda vez que molecas, moleques e molecotes entram no trem. Basta encontrarem um banco azul vazio, sentarem-se e estes adormecem profundamente, olhos cerrados. Não há como tirá-los daquele profundo sono. Mais ainda, caso se sentem no banco duplo ao lado, esticam-se e colocam os pés no banco azul, como que magnetizados e atraídos entram imediatamente no sono profundo, em uma espécie de osmose.

Fazer o que?

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