Minha Vila Formosa

Estou aqui mais uma vez para escrever sobre a Vila Formosa: através de meu amigo Celso, dos tempos de estudante do "Colégio Estadual Professor José Marques da Cruz", estive lendo o poema "Era uma vez" da poetisa professora Nazareth Peres e uma entrevista que ela deu contando como o bairro foi loteado por Raphael de Abreu Sampaio Vidal e Eduardo Cotching, hoje nomes de praça e avenida no lugar acima citado. A leitura levou-me as minhas lembranças mais remotas da década de 1940, dos tempos em que meus avós paternos moravam em uma chácara arrendada na Rua Tobias Barreto, esquina com a Rua Siqueira Bueno, no Belenzinho, na época uma área rural, onde plantavam verduras, hortaliças, criavam galinhas, patos, porcos etc.

Minha avó Maria Rodrigues Grabellos vendia verduras e hortaliças, tinha freguesia certa, sempre separava um "dinheirinho" sem que meu avô soubesse para comprar um "terreninho". Ela ouviu alguém falar dos lotes na Vila Formosa e secretamente comprou um, em um matagal, lugar remoto da Vila Formosa que um dia viria a ser a Rua Templários e a Rua Camberra. O proprietário da chácara em que moravam avisou que eles deviam desocupar o local e deu um prazo de seis meses para se mudarem dali, meu avô desesperou-se e sentiu-se aliviado quando minha avó contou do terreno que comprara. O alivio durou pouco por que ele não gostou do lugar de difícil acesso, sem infraestrutura nenhuma, ruas precárias de terra e barro.

Ficou desanimado, mas conformou-se, construiu uma casinha na parte debaixo do terreno e convidou meus pais, na época com dois filhos pequenos, eu e meu irmão, para construírem na parte de cima. Foi assim que cheguei à Vila Formosa e meu avô nem chegou a ver o crescimento do lugar, faleceu dois anos depois de ter ido morar lá. Apesar de hoje vivenciarmos uma outra realidade, do progresso todo que a Vila Formosa obteve e de São Paulo ter se transformado em uma megalópole, eu gostava mais daquele tempo em que bebíamos nas bicas de águas límpidas, brincávamos nas ruas de terra batida e colhíamos frutos da mata verdejante.

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