Em uma manhã de segunda-feira, em 1982, fui para a nossa fábrica de plásticos em Guarulhos. Estou na Paulista e virando para a Nove de Julho. Ao lado do Masp, vejo um senhor de uns 80 anos de jaleco branco pixando sobre a propaganda de políticos colada nos muros do Masp, em vermelho a grande palavra “m…”. Ele usava um rolinho de pintor e molhava em uma grande lata de tinta segurada por um assistente ao lado dele, com jaleco branco também. Na hora pensei: Que dois médicos inteligentes e reacionários! Estão fazendo o que todos deveriam estar fazendo nas caras dos políticos que vivem emporcalhando a minha cidade. Fui para Guarulhos.
À noite, em casa, na TV, soube que aquele médico era o grande Pietro Maria Bardi, um dos fundadores do Masp. Com seu rolinho, entrava para a galeria dos meus heróis. Lembro-me de uma frase dele que poderia ser minha. Foi preso e só não foi condenado porque tinha idade e era considerado inimputável. Provocador, ele disse na ocasião:
– Que bom, posso continuar escrevendo palavrão.
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