Lendo um comentário do Ernesto Bernardes relembrando da sua calculadora "Facit" à manivela, passou pela minha cabeça as máquinas e apetrechos que nos acompanharam na nossa vida, no trabalho ou em casa. Sempre sonhei com uma máquina de escrever particular e, é claro, somente minha, desde que fiz o curso de datilografia em 58. Sou um exímio datilografista e sempre elogiado por todos que me veem escrever, logo perguntando: como você consegue escrever sem olhar para ao teclado? No início da minha carreira, trabalhando na área de telecomunicações, no centro de Sampa, na XV de Novembro, as ferramentas de trabalho eram o telefone e a máquina de escrever. O telefone tinha um acessório chamado de "ombro-fone" que se encaixava no ombro e deixava as mãos livres para datilografar. Digo que esse trabalho entrou na minha pele, porque tenho o lado esquerdo do meu ombro desigual com o lado direito, de tanto usar o bendito.
Passando da área burocrática para a área técnica, fiz o curso de mecânica de máquinas de Telex, por onde trabalhei um bom tempo da minha vida e com o segmento de Centrais de Telex e Telefonia. Gostaria de enfatizar sobre o funcionamento mecânico de uma máquina de Telex (nostalgia). Vocês nem imaginam como é escrever em uma máquina e "entender" todo o seu movimento mecânico, onde essas informações escritas transformam-se em sinais (ondas magnéticas) e chega à outra máquina do outro lado do mundo; magnífico. Voltando ao meu sonho de ter uma máquina somente minha, finalmente ela chegou à década de 90 (foi um presente do fabricante), acreditando que ela veio um pouco tarde, visto estarmos entrando na era da computação e pouco a utilizamos. Já não era uma máquina mecânica, e sim elétrica (Olivetti Práxis) com os tipos descartáveis chamados “margarida”.
As máquinas mecânicas, para quem utilizou muito, o que mais dava defeito era o desalinhamento dos tipos, hora e meia tinha que levar ao mecânico para soldagem e alinhamento. Já li várias histórias aqui no SPMC, de escritores falando da sua máquina de escrever que acompanhou ou acompanha ainda a sua vida, que para muitos é reconhecida como mais importante que um celular ou de outro apetrecho da era moderna. Hoje, a "Máquina Práxis Olivetti" encontra-se bem atrás de mim, na estante caladinha, que por hora ou outra eu paro e olho para ela pensando: Que será dela? Para nós um troféu e para os filhos herdeiros um cacareco? Abraços.
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