"Halla-la-ôôôôôô… mas que calôôôôôôrr", "tomara que chova três dias sem parar", "Quem sabe, sabe, conhece bem, como é gostoso gostar de alguém…". Essas e outras marchinhas que tocavam nos salões dos Carnavais nos anos 50 e 60. Os campeões dos Carnavais como Joel de Almeida, Lamartine Babo, Braguinha, Mario Lago e outros que não eram do ramo, mas se aventuravam no Carnaval como Silvio Santos, Arrelia e outros animavam os bailes de Carnaval nos salões dos clubes Arakam, Palmeiras, Juventus e Corinthians ou nos cinemas que retiravam as poltronas e viravam salões como o cine São Jorge no Tatuapé, cine Penha Palace, obviamente na Penha, cine São José no Belém ou cine Oberdam no Brás.<br><br>Fantasias eram havaianas, pierrô, colombina, dominó, pirata ou palhaço, havia os que preferiam calça branca, camisa listada e um bonezinho de marinheiro, muito confete e serpentina, lança perfume e o sangue de diabo, uma espécie de tinta que jogavam na roupa das pessoas manchando de vermelho e logo evaporava. Era o início da TV e as transmissões se limitavam a desfiles de fantasias no Copacabana, vários se apresentavam, mas quem se destacava eram Clóvis Bornay, Evandro de Castro Lima e Wilza Carla. A Record com o tradicional concurso de resistência onde um grupo ficava pulando em um tablado todos os dias de Momo e o finalista sempre era um fantasiado de índio.<br><br>Não havia o glamour dos desfiles das escolas de samba de hoje, mas rivalidade das torcidas do Corinthians e Palmeiras em que os grupos tem que desfilar e dias diferentes também existia, na época era proibida a marchinha "Coração Corintiano" do Silvio Santos nos bailes do Palmeiras, por sua vez, nos bailes do Corinthians jamais tocava "Meu periquitinho verde". No último dia diziam "hoje é a Terça-feira Gorda, vamos aproveitar", era assim porque quando chegava a Quarta-feira de Cinzas o respeito era total… Mas essa história fica para quando a Quaresma chegar.<br><br><br>E-mail: [email protected]