Melodias imortais… Um baile à tarde

Sou um modesto “crooner” da Banda Magia do Som da região do ABC, aproveito bem este dom que Deus me deu; somos cinco componentes incluindo a backing vocal Andressa, diga-se de passagem, além de linda possui uma bela voz. Um dia desses fomos tocar nos salões do Clube Atlético Juventus, no bairro da Mooca, em São Paulo; o evento foi dedicado ao pessoal da terceira idade, as caravanas procedentes de todos os recantos da cidade se faziam presentes.

Gostamos desse trabalho que é deveras gratificante, o espírito jovem impera nessa experiente classe na qual me incluo e eu me sinto realizado na qualidade de cantor; só o fato de estar no palco na minha idade é algo fantástico isso nos meus sessenta e poucos anos. O salão de baile totalmente enfeitado com ramos de flores era o convite para passar momentos de sonhos e recordações; casais, senhoras viúvas e outras solteiras lindamente vestidas ali se realizavam, a diversão descontraída era o objetivo. As melodias imortais a Banda apresentaria então com a abertura, a música “Castigo” autoria de Dolores Duran, coloco a alma e o coração na interpretação desta canção: A gente briga, diz tantas coisas que não quer dizer, são os versos; Margot, nossa vizinha no bairro, por sinal ainda bela, ao ouvir Castigo diria ser ela a canção de sua vida, vida tumultuada, mesclada entre amores e ciúmes que quase culminaram com uma dolorosa separação que ocorreria mais tarde em sua viuvez.

Passaria, após a interpretação, o microfone para Andressa, esta apresentaria um clássico de Antonio Carlos Jobin: Eu sei que vou te amar e não é que Carlos Alberto, conhecido como o Dom Juan da Mooca, aliás, colega do curso de Direito da Universidade Brás Cubas, bateria asas para a cantora, eu incontinente, para evitar problemas, daria um aviso muito importante naquele instante, ela era comprometida com o tecladista da banda, a sua euforia acabaria naquele momento, pois o músico era muito ciumento; como era um bom pé de valsa, continuaria em todo baile com as suas investidas. A festa de arromba, no bom sentido, continuaria quando Dona Marta recém viúva passaria um chamego para o Mauricio, este fã de carteirinha da banda; Mauricio, que era uma criatura educada, não daria bola, recusou, pois estava de caso com uma outra pessoa.

E o baile seguiria a passos românticos e para mais incrementar foi cantado por mim os boleros Contigo La Distância, Besame Mucho e outros, eram para arrebentar os corações, aumentaram-se mais então as emoções quando apresentei de imediato: É grande o meu amor por você, do RC e era o momento exato para que Senhor Jorge, um renomado industrial do Brás, desse uma rosa vermelha para uma belíssima senhora chamada Fernanda, separada recentemente do marido Francisco, uma loira oxigenada estonteante pela sua idade. Até hoje não sei o que deu essa investida…

Eu e os demais componentes a tudo observaríamos, este aglomerado de cabecinhas na maioria brancas, os experientes de vida que ali estavam para passar uma tarde agradável ao som de umas melodias imortais. Epílogo; o baile terminaria com uma saideira para lá de nostálgica; Io che amo solo te, então as mãos foram separadas, os beijos e abraços foram dados como despedida ou um até breve. Melodias imortais em uma tarde…

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