Minhas aventuras aeronáuticas

Minhas aventuras aeronáuticas… Comecei cedo, com nove ou dez anos, já apaixonado pela condição de voar como um pássaro, totalmente livre e sem rumo. Iniciei montando pequenos aviões com "motor" a elástico e fui me aprimorando até usar motores a explosão, seja com metanol ou óleo diesel (wasp 029, Amco 3.5 c). Aos 13 anos passei a frequentar os aeroportos de Congonhas e Marte, onde passava horas nos fins de semana, ocasião em que "cavei" vários voos, seja em aviões comerciais ou pequenos monomotores de instrução no aeroclube de São Paulo!

Em 1954, mudamos para Campinas – SP onde passei a frequentar o aeroporto dos Amarais, também o aeroporto de Viracopos onde fiz muitas amizades. Em 1962 passei a fazer bicos no aeroporto de Viracopos, ocasião em que fiz reformas no sistema de comunicações da Panam quando ganhei um bom dinheiro.

Logo em seguida, passei a ajudar na manutenção dos aviões Boeing 707 e foi uma verdadeira maravilha, pois juntava o prazer com altos ganhos! Fiz serviços para a Air France e Aerolineas Argentinas, mas minha paixão era pela Panam.

Lembro-me que num domingo fui chamado para ajudar numa pane elétrica de um 707 e descobri o defeito rapidamente (um disjuntor), tendo em seguida recebido uma importância que deu para trocar o motor da minha Vemaguet, fazer a embreagem completa e ainda sobrou um dinheiro que deu para várias compras de alimentos durante o mês…

Nessa mesma época comecei a fazer o curso de piloto privado no Aeroclube de Campinas, tendo sido nomeado diretor técnico do mesmo. Certo dia, solicitei ao mecânico que efetuasse a troca da hélice da aeronave P 56 C Neiva Prefixo PP GSV, pois a mesma apresentava rachaduras em suas pás. Enquanto a troca era feita, fui tomar um refrigerante no bar e em seguida fui chamado para conferir no gabarito a centragem da hélice bem como a sua frenagem.

Voltei a voar o referido avião alguns minutos depois, sobrevoando a cidade, notei uma vibração no motor, tendo em seguida, com um mínimo de regime, retornar ao aeroporto para verificar o que havia acontecido e ao fazer o tráfego para pouso, perdi a hélice recém trocada! Com aparente calma, desliguei magnetos, fechei o combustível e com um vento de través, bastante meu conhecido, fui para o pouso glissando e consegui pousar!

Sem motor, parei na pista e pensei rapidamente em retirar o avião do local, pois outros pousos e decolagens deveriam acontecer! Ao descer do avião, caí de joelhos no chão, pois senti então o descontrole, as pernas tremendo sem conseguir ficar em pé e senti então a camisa do meu uniforme completamente molhada na frente… Bem, consegui ficar em pé e pegando a alça da cauda, retirar o avião para a pista de táxi…

O engraçado é que eu tinha noção de onde provavelmente a hélice tinha "aterrissado", nas dependências da fazenda chapadão onde estava instalada a 11ª Brigada de Infantaria Blindada do Exército Brasileiro. Peguei minha lambreta e fui tentar achá-la (a hélice) e chegando á unidade, encontro o SGT Neves com a referida no colo! A alegria foi grande, embora a mesma estivesse toda lascada… Cumprimentei o SGT e solicitei que ele me entregasse a hélice e contei que ao sobrevoar o local, a mesma se desprendeu do avião em que voava, portanto, necessitava levá-la para dar baixa na documentação do acontecido. Nesse momento o SGT se manifestou dizendo que eu estava louco, pois quem perdeu aquela hélice em voo deveria estar morto!

Aleguei que não, mas ele se recusava a entregar a referida, mas dei sorte porque logo em seguida o comandante da brigada, ao saber do acontecido, mandou que ele me entregasse a mesma. Voltei ao aeroclube e pude então verificar o porquê do acontecido: ao instalar a nova hélice, o mecânico teve dificuldade em colocar um dos parafusos e não teve dúvidas, foi ao esmeril e desgastou a ponta do mesmo deixando-a cônica!

Forçou um pouco e conseguiu colocá-lo, apertando-o. Acontece que o parafuso entrou torto e com a rotação do motor quebrou, provocando o desbalanceamento do restante que foi quebrando um a um até… O desprendimento total da hélice! Vale lembrar que na época do acontecido eu tinha apenas umas 15 ou 20h de voo solo! Felizmente só danos materiais!

Pretendo ainda escrever sobre Viracopos, uma comunidade interessante, com muitas histórias engraçadas, outras de arrepiar os cabelos.

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