Os coveiros e os garis de São Paulo

Depois de bons tempos observando os nobres profissionais, nobre sim porque ser coveiro e gari não deve ser fácil, pois lidam com as piores, ou melhor, "coisas" da vida, fica muito difícil de concluir o que é bom, mas uma definição é válida, "cuidam de tudo" o lixo retornará, o morto ao pó retornara, ser coveiro é não ser lembrado, não sei se eles tem dia do coveiro, será que eles tem folga disciplinada? Será que tem insalubridade? O prazer de dizer: – enterrei alguém famoso? Nunca dizem isso, pois até acredito que seus sentimentos talvez nem existam mais, pois vivem diariamente enterrando alguém, até os cemitérios de São Paulo são diferenciados, assim como os lixos das periferias dos jardins, sempre estive muito confuso para escrever sobre as duas profissões, que são nobres, vemos poucas reportagens a respeito deles, notícias sobre eles, salvo quando resolvem fazer uma greve que logo passa, assim como as correrias atrás dos caminhões de lixo, ah!

Teve um gari que ganhou uma corrida, lógico, seu treinamento foi correndo com sacos e mais sacos de lixo na mão atirando no caminhão de lixo (também não sei se tem o dia do gari). Antes era "lixeiro", atualmente é consultor de reciclagem.

Resolvi e tomei a coragem de escrever sobre ambas as profissões depois de conversar com o Geraldo, pessoa tranquila, que foi administrador de um cemitério (vejam o que a vida nos reserva) e senta-se ao meu lado na faculdade e relatou-me até fatos de como os coveiros entram em depressão cedo, abandonam suas mulheres, famílias, viram alcoólatras, assim como os consultores de reciclagem, não tem muita diferença, a diferença sim é que são pessoas especiais, são mãos invisíveis a quem muito todos nós devemos, não falam, não reclamam, sempre esta tudo bem? Tem uns que vivem sorrindo.

Imaginem amigos, leitores, todos os dias com esse tipo de trabalho como deve ser? São crianças, jovens, idosos, mulheres, homens, às vezes são achados no lixo ou alguns já estão.

Alguém disse: "Do pó viemos ao pó retornaremos", não lembro qual "epístola" desta frase, mas minha avó mandou colocar essa frase sobre o caixão do meu saudoso pai quando faleceu. Portanto quero deixar minhas muitas homenagens às duas profissões, aliás, não sei se tem mulher coveira.

Permaneçam vivos por muito tempo.

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