A professora do meu neto pediu um trabalho sobre brinquedos que não se compra, então minha filha pediu "socorro" para mim, para ajudá-lo a compor um trabalho totalmente desconhecido por ele. Moleza, pensei, como dificilmente ou nunca se tinha brinquedos comprados não foi difícil para eu lembrar alguns em que eu e os amigos da época que estavam na mesma situação brincávamos.<br><br>Nos anos 50 o Tatuapé era um canteiro de obras, mas não dos espigões de hoje, mas de casas, então sempre havia tijolos e montes e mais montes de areia onde brincávamos de caminhão, o nosso "caminhão" de entregas de areia era um tijolo, tinha o cavalinho feito com pau de vassoura e uma tala de couro amarrada na ponta, saiamos cavalgando imitando Roy Rogers, a perna de pau, dois paus enormes com um toco para colocar os pés pouco antes do chão, e lá íamos nós, à noite furávamos latas de óleo amarradas com arame e colocávamos fogo e girávamos e iluminávamos a noite, quando chovia muito e tinha enxurrada improvisávamos uns tocos que era nosso barquinho os maiores eram navios, às vezes achávamos pneus velhos e saiamos rodando pela rua,quando alguém conseguia uma bolinha era jogo de raquete ou betis, jornais velhos serviam para fazer a “capucheta”, quando os pais ou irmãos traziam de onde trabalhavam alguma rolemã usada, então entrava o tempo dos carrinhos que andávamos nas calçadas porque a rua era de terra.<br><br>Na verdade um dos poucos brinquedos comprados era a bola de capotão em que o dono por pior que fosse sempre tinha lugar no time, acho que foi por esse motivo que virei goleiro, em um natal ganhei uma número dois do meu irmão, mas eu era muito ruim, então o destino era o gol mesmo, senão não tinha jogo. Falando em jogo de futebol, às vezes valia taça, uma lata de leite em pó com um pedaço de cabo de vassoura e a tampa pregada na parte de baixo e revestida de papel alumínio dos maços de cigarros e pronto, lá estava o cobiçado troféu, a propósito, o papel alumínio era o mesmo dos maços de cigarros que colecionávamos.<br><br>Tempos difíceis, mas felicidade não se compra.<br><br><br>E-mail: [email protected]