Saquinhos dos supermercados: simplesmente uma enganação formidável

Na Rua Pamplona outro dia
na fila do supermercadinho
o caixa teima em perguntar:
– “O senhor vai querer comprar
um saquinho plástico por R$0,19?”
Respondi para o rapaz que sorria
para mim e para duas senhoras na fila:
– “Você está achando que somos
todos palhaços, não é mesmo?”
Não pode dar, pois polui o ambiente
e vendendo simplesmente despolui?
Vem com nariz vermelho?

As mulheres só faltaram xingar o rapaz
que se defendeu dizendo
que tinha orientação de proceder assim
pela direção do estabelecimento.
Pensei como palavras orientação e direção combinam com enganação.
Eu recuperava esse material plástico
chamado polietileno de baixa densidade,
nos idos dos anos oitenta em Guarulhos.
Recuperava duas ou três toneladas por dia.
Comprava muita sucata plástica.
Precisava três a quatro toneladas por dia.

Eram sacos de adubo em fazendas
ou usinas de álcool, sacarias em Cubatão, material recolhido em lixão do Jardim Gramacho no Rio de Janeiro ou no lixão onde a firma da limpeza de São Paulo despejava após recolhimento das nossas ruas.
Pensava que ajudava o meio ambiente,
pois recuperava esses saquinhos
que eram retirados do lixão,
ajudando a debatida sustentabilidade
e conservação do ambiente.

Além de pagar indiretamente
essa mão de obra catadora e sofrida.
Esse material, quando chegava
em nossa fábrica em grandes fardos,
era selecionado moído lavado
centrifugado aglutinado secado
“extrusado”, picotado e embalado.
Empregava muitas pessoas
e sentia que criava utilidades
a partir da sucata descartada,
fabricando garrafas plásticas
para cândida ou querosene.

Meu material recuperado
era muito procurado para
extrusão de sacos plásticos
e tubos para irrigação rural.
Agora vejo esse material recuperado
nas prateleiras como sacos de lixo
na cor preta ou cinza, vendidos para
substituir sacos do supermercado
utilizados nas lixeiras em casa.
Ué! Sacos vendidos não poluem
nosso meio ambiente?
Que enganação formidável.

Depois aguentei a gozação da mulher
durante um almoço na cunhadinha.
Tive que ouvir as queixas dele
durante a semana inteira
que os supermercados
suspenderam as sacolinhas,
mas como falava brincando
o meu mestre do Mackenzie
ele tem o direito de se queixar,
tem direito ao “jus sperniandi”.
Pensei: “Vamos ter que engolir
essa enganação mesmo esperneando!”

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