As brincadeiras nos cinemas

Na minha mocidade era normal os rapazes e as moças assistirem a várias sessões de cinema, era permitido ficar de uma sessão para outra. Hoje em dia não pode, inclusive nos cinemas dos shoppings. Era uma paquera geral, rapazes e moças mudando de lugar toda hora, até encontrar um namorado ou uma namorada. Eu e os meus amigos sempre aprontávamos nas sessões de cinema.

Certa vez, estávamos no Cine Art Palácio, era um domingo à tarde, o cinema estava cheio, não tinha um lugar vago. Estava passando um bang-bang ótimo, o filme chamava-se “Três horas para matar. Nós já tínhamos assistido ao filme na sessão anterior e já sabíamos o fim da fita. No meio do filme, eu e os amigos fomos saindo de fininho e, quase na porta de saída, nós gritamos: “O assassino é o xerife”; o público ficou super bravo, começou a xingar as nossas mães. Nós saímos correndo e, chegando na rua, morríamos de tanto rir.

Certa vez, no Cine Astor, na sessão da meia-noite, o cinema estava repleto, era o lançamento do filme “Psicose”, do diretor Alfred Hitchcock. Era um super suspense. No meio da fita, o cinema estava no mais absoluto silêncio, vendo o assassino matando as pessoas, quando o meu amigo, o Kito, deu um tremendo grito de socorro no cinema. Foi uma correria geral, a sessão foi interrompida, as luzes se acenderam, o guarda civil e os lanterninhas queriam saber quem gritou; nós ficamos sentados nas poltronas e ríamos, as pessoas ficaram muito assustadas, o filme já era de meter medo e ainda mais alguém gritando por socorro, quando saímos do cinema o pessoal reclamou da pessoa que tinha gritado, que poderia ter causado um acidente grave, mas graças a deus não aconteceu nada, foi tudo uma brincadeira.

Outra vez foi no Cine Ritz da Consolação, queimamos uns barbantinhos, depois de alguns minutos o cheiro era insuportável, era um cheiro de merda, o pessoal começava a gritar: “Vai no banheiro seu porco”, e nós morríamos de rir. No Cine Majestic, do balcão do cinema, nós jogávamos rolos de papel higiênico para a plateia, ficava parecendo rolos de serpentinas.

Estas foram umas das brincadeiras da nossa mocidade, sem violência, sem drogas, sem brigas, apenas nos divertindo sem prejudicar a saúde de ninguém. Hoje, os jovens, nas saídas das casas noturnas acabam se matando, ou em acidentes de trânsitos por bebedeira ou drogas, mas eu tenho saudade das nossas brincadeiras dos cinemas.

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