Desde os anos 1950, década que nasci, vi, convivi, e até hoje, ano de 2012, muitos acontecimentos se processaram em um ritmo nunca visto até então em todos os segmentos sociais e tecnológicos, que fica difícil classificar em idade, como se fazia séculos atrás. Mas, o que vou abordar é um assunto inerente a todos nós, que é a quebra de tabus e/ou modismo em geral, quanto a nós seres humanos, focalizando a nossa experiência nesse intervalo de tempo citado, no que se refere à vida social e até pessoal.
Sou de uma época, desde os anos 50, onde quem tinha cabelos longos, para os homens, até o advento da jovem guarda dos anos 60, eram taxados pelo apelido de cabeleira e até mulherzinha, como adjetivo pejorativo, e quem tinha a cabeça raspada, que era coisa rara, era denominado ex-presidiário, tinha sido preso e raspado a cabeça e a gozação era geral, na década de 2000 tornou-se coisa normal.
Na vestimenta na década de 1950 e 1960, principalmente, era normal as mães costurarem as calças e camisas com ou sem remendo, principalmente nos joelhos e cotovelos, pois roupa rasgada era motivo de olhares estranhos. A partir das décadas de 2000, encontramos nas lojas calças já rasgadas, desfiadas e desbotadas e são mais caras que as normais; roupa amarrotada nem pensar, a calça tinha vinco, tergal, e as camisas eram engomadas nos seus colarinhos e punhos. Agora, quanto mais amarrotadas mais na moda estão. Lembro de uma camisa de gola careca com listas horizontais em preto e branco ou azul e branco, todos diziam que era camisa de presidiário na época.
Os calçados eram todos em couro e era normal, quando desgastados, colocar meia sola e salto, todos em couro com chapinha onde se desgastava mais, depois apareceram uns saltos de borracha que era colocado no lugar do couro que, quando desgastado, era só trocar. Na década de 1970 apareceu o calçado injetado, o famoso Vulcabrás-752, Passo doble, que popularizou essa opção para diversas classes sociais, pois era um calçado descartável e com isso começa a extinção da profissão de sapateiro.
Como calçados alternativos, tínhamos a alpargatas roda, onde o solado era de cordas que após algum tempo de uso desfiavam, parecia uma vassoura rotativa, surgia o Ked's, Congas e outros em cores discretas. Hoje, esses tipos de calçados possuem cores. Na década de 1960, quando chegou os chinelos de tiras havaianas, lembro bem que quem os usava não era visto com bons olhos, para não dizer outra coisa, pois tinha aspecto de feminino e até de pessoa despojada, mas pela sua praticidade foi aceito e hoje também apareceu com diversas cores e muitos fabricantes, e de uso geral.
Também tinha a aparência quanto aos cabelos tantos. As moças, como os rapazes, usavam um penteado de classe, os homens aplicavam as brilhantinas, como a glostora, as mulheres as armações e permanentes a ferro, hoje quanto mais despenteado mais na moda, ou seja, muitos penteados dão a impressão de que a pessoa acabou de acordar, mas o mais incrível é que se paga um "dinheirão" nos cabeleireiros para fazer um despenteado, as crianças usavam o corte americano que era cabelo só na parte superior da cabeça e bem curto, com franja.
Tanto o corte masculino como feminino, além de despenteado, dá a impressão que o cabeleireiro é um barbeiro na acepção do termo, pois os cortes são formados por vários fios, um mais longo que outro e desencontrado, cheio de caminho de "rato", termo esse usado quando um pai resolvia cortar o cabelo do filho, ficava muitos caminhos de rato, ou seja, desigual. Enfim, as pessoas se tornam ridículas para não serem ridículas, parece contradição, mas é assim, e, geralmente, essas modas são ditadas por uma pessoa famosa e se alguém desconhecido implantar essa atitude diferente provavelmente será objeto de bullying.
As diferenças entre os sexos eram contundentes, sabia-se quem era masculino e feminino pela roupa e o andar, hoje praticamente todos os vestuários são iguais, só não vi ainda homem usar calçado de salto alto, aqueles bem fininhos, e agora com a liberação do terceiro sexo piorou.
Principalmente com a igualdade sexual em direitos, a mulher superou os homens nas faculdades, faz praticamente todo serviço masculino, e por isso também 30% dos crimes de todos os tipos são praticados por mulheres, tudo isso inadmissível até a década de 1970. Outro detalhe é o aspecto físico das pessoas, os apelidos por alguma alteração na pele como manchas e pintas, além dos apelidos, bullying, como é chamado hoje. Esses pseudos "defeitos" são usados principalmente pelos famosos como marketing, e usam e abusam dessa alteração fazendo propaganda e ganham muito com isso.
Pinta e mancha no rosto é charme, cicatriz e/ou mancha na perna é marca registrada, falta de cabelo é moda. O uso do chapéu também tem seu fim no final da década de 1950, lembro quando meu pai parou de usar porque um amigo aboliu o uso, fico imaginando quem será que apareceu primeiro em público sem chapéu.
Quanto às abotoadeiras e prendedores de gravata, o seu uso foi abandonado paulatinamente, eu ainda cheguei a usar o prendedor de gravata. Com isso e muito mais detalhes que compõem a sociedade, a quebra de tabus tem seu lado positivo tanto comercial como o individualismo de pensamento e atitude, saindo de uma massificação por falta de opção e entrando em outra por modismo. Enfim, assim caminha a humanidade com suas manias e verdades em suas épocas, coisas do ser humano.
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